Ao lembrar um jornal que contestava as barreiras entre o público e o privado, vou me permitir aflorar lembranças pessoais no texto que saúda a disponibilização, tantos anos depois, da íntegra do Mulherio nas redes virtuais. Foi uma experiência muito rica para mim, pois pude fazer uma conexão até então inexistente entre a minha vida e a minha profissão.

Se não me engano, a indicação de meu nome partira de Carmen Barroso, que eu entrevistara longamente para uma edição do semanário de esquerda Movimento, dedicada à questão do trabalho da mulher no Brasil, que fora totalmente censurada alguns anos antes. Tivemos o privilégio de ter a nosso lado um time brilhante, que incluia Maria Rita Kehl e Ruth Cardoso entre as conselheiras; Fátima Jordão e Rosiska Darcy de Oliveira entre as colaboradoras; Claudia Jaguaribe e Nair Benedicto entre as fotógrafas. A presença de Fúlvia Rosemberg na redação foi fundamental para que a gente pudesse fugir da tendência então dominante, inclusive em mim mesma, de vitimizar a mulher. Foi um trabalho realmente coletivo, feito a muitas mãos e cabeças, e que certamente deixou muitos frutos dentro e fora de nós.