Mulherio! O nome veio da Carmen da Silva, recuperar palavra desairosa sobre nós mulheres. Dar uma piscadela para a irreverência, enquanto imprensa nanica, mas guardando a seriedade de um projeto da Fundação Carlos Chagas. Muita ousadia daquele grupo de pesquisadoras e de jornalistas, produzir um jornal feminista, independente, com recursos escassos, menos nossa vontade de fazê-lo, pontualmente, mantendo, se não a irreverência, pelo menos um bom humor. Adélia Borges e Inês Castilho, corajosas ao embarcarem na experiência, davam o tom. Marlene Rodrigues, diagramadora, compunha o visual. Miriam Tanus mantinha o cotidiano.

As reuniões de pauta eram fantásticas, com sugestões muito avançadas para a imprensa militante mas que nem sempre puderam se concretizar.

A adesão de ativistas e acadêmicas foi imediata e calorosa, colaborando com artigos e comentários. Algumas matérias são inesquecíveis e me voltam à memória, como aquela sobre a velhice com sua dançarina viúva diante do espelho.Saudades do mulherio!