Biblioteca Ana Maria Poppovic

Biblioteca Ana Maria Poppovic Em 1971, foi criado o Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas e, com ele, a Biblioteca Ana Maria Poppovic – BAMP, idealizada para lhe dar apoio biblioteconômico. O nome Ana Maria Poppovic homenageia essa pesquisadora que tanto contribuiu com sua capacidade investigativa para o Departamento de Pesquisas da FCC.

A BAMP é uma biblioteca especializada em educação, avaliação educacional, criança pequena, gênero e raça. Seu objetivo, além de apoiar o trabalho dos pesquisadores, é promover o desenvolvimento acadêmico em níveis de graduação e pós-graduação, principalmente em áreas ligadas ao campo da Educação. Atualmente, conta com mais de 56.000 mil títulos de livros, periódicos, relatórios de pesquisa, anais de eventos, dissertações e teses indexados em sua Base de Dados. Para algumas publicações, encontram-se disponíveis a capa e o sumário; para outras, quando de domínio público, o texto aparece na íntegra, com o endereço web para acesso online ao documento.

A Base de dados da BAMP foi desenvolvida utilizando o software de código aberto ABCD (acrônimo em português para) Automatização das Bibliotecas e dos Centros de Documentação, desenvolvido na UNESCO e mantido no Brasil pela Bireme (Centro Especializado da OPAS/OMS para a Cooperação Técnica em Informação e Comunicação Científica em Saúde na Região das Américas).

Ana Maria Poppovic: educadora e pesquisadora

Ana Maria PoppovicAna Maria Poppovic foi uma pedagoga especializada em Psicologia Clínica pela Faculdade de Filosofia Sedes Sapientiae, em São Paulo. Sua relação com a psicologia começou no início dos anos 50, quando organizou e fundou a Sociedade Pestalozzi de São Paulo, para atender às crianças com deficiências ou elevadas habilidades. Entre 1954 e 1957, trabalhou como psicóloga no Abrigo Social de Menores, lidando com crianças abandonadas. Em 1958, Poppovic foi convidada para elaborar o projeto da Clínica Psicológica do Instituto de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (IPPUC-SP) e assumir sua direção. Em pouco tempo, essa clínica se tornaria uma referência importante no campo psicológico, devido ao seu duplo pioneirismo: realizar atendimento aberto ao público e constituir-se em centro especializado no diagnóstico e tratamento da disfunção cerebral mínima (DCM).

Em 1962, Ana Maria assumiu a diretoria do Departamento de Psicologia Aplicada à Educação do IPPUC-SP, permanecendo nessa função até 1971, quando dela se afasta. Com a criação, no mesmo ano, do Departamento de Pesquisas em Educação da Fundação Carlos Chagas, Ana Maria foi convidada a nele atuar, realizando pesquisas e estudos. Elaborou o projeto Alfa, voltado à formação de professores em exercido e à melhoria da qualidade da educação em seus anos iniciais. Em 1977, empreendeu uma reformulação nesse projeto, que resultou na alfabetização de mais de um milhão de crianças. Yara Lúcia Espósito, Marta W. Grosbaum, Lia Rosemberg, Teresa Roserley Neubauer da Silva, Maria Silveira Bueno, Maria Laura Puglisi Barbosa Franco, Aparecida H. Gradin e Alba Marina Munaro Schlesinger participaram também desse empreendimento. Em 1979, Ana Maria coordenou o projeto Pensamento e Linguagem, financiado pela Fundação Bernard Van Leer, dirigido ao aperfeiçoamento de professoras das primeiras séries do ensino fundamental, dando-lhes ferramentas para diminuir o fracasso escolar.

A vida de Ana Maria Poppovic foi toda dedicada às crianças, à escola e ao atendimento das necessidades dos alunos em processo de escolarização. À época de sua morte, em 1983, continuava a atuar como pesquisadora na Fundação Carlos Chagas. Simão Sygband expressa muito bem o modo de ser da educadora na reportagem intitulada “Uma personalidade forte, em constante movimento” (JORNAL ALFA, n. 30, 08/1983): "é quase impossível pretender um retrato acabado de Ana Maria, porque basicamente ela vivia um ininterrupto processo de mudança. Cabeça inquieta, coração turbulento, pés na terra, uma pessoa apaixonada pela ação. Tudo isso e muito mais pode ser dito dela, pesquisadora e educadora que fez em sua vida um percurso difícil e, ao mesmo tempo enriquecedor: do individual para o coletivo, da psicologia clínica à psiconeurologia e à educação". (p. 4-5).