O nível de escolaridade formal da população brasileira tem se elevado continuamente através dos anos. Em 1976, 35% dos homens e igual proporção das mulheres não tinham nenhuma instrução ou haviam cursado menos de um ano de escola; em 2002, cerca de 12% dos homens e das mulheres brasileiras apresentavam nível de escolaridade tão incipiente.
Mas no caso das mulheres, outra tendência - de especial importância para a sua inserção no mercado de trabalho - se esboçou e concretizou nos últimos 25 anos. Comparativamente aos homens, as mulheres brasileiras adquiriram maior nível de escolaridade. Em 1999, 23% dos brasileiros e 27% das brasileiras puderam contabilizar uma trajetória escolar com 9 anos de estudo e mais, correspondente aos graus médio e universitário de ensino. Três anos depois, em 2002, as proporções de homens e mulheres que conseguiram chegar até esses níveis de escolaridade aumentam, as mulheres brasileiras na frente: 31% delas e 28% deles.
A prevalência das mulheres entre os mais escolarizados ocorre a partir do ensino médio e se estende ao 3º Grau: em 2002, 54% das matrículas no ensino médio eram de mulheres, bem como 56% dos ingressantes no ensino superior pelo vestibular. Outro traço relevante no processo de aquisição de maiores níveis de escolarização é que além da maioria das matrículas nesses níveis de ensino serem femininas, as mulheres também estão em maior número entre os concluintes : em 2002, as môças representavam 58% e 63% dos concluintes, respectivamente, do ensino médio e superior.
No âmbito da educação profissional, entretanto, a presença das mulheres é menos expressiva, girando em torno de 1/3 das matrículas nos níveis básico e tecnológico e 41% no nível técnico.
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Tanto no ensino superior , como na educação profissional, quando se observam as opções femininas segundo as áreas de conhecimento, nota-se a existência de algumas mais permeáveis à presença das mulheres e outras nem tanto, sinalizando a futura reprodução em "nichos" ou "guetos" ocupacionais femininos no mercado de trabalho. No ensino superior, por exemplo, quando se verifica o ingresso pelo vestibular em toda a década de 90, as mulheres só não são a maioria em três áreas, a saber, Ciências, matemática e computação, Agricultura e veterinária e em Engenharia, produção e construção, sendo esta última a mais refratária ao ingresso das môças (apenas 26%) . Em contrapartida, em 2002 elas representam 75% dos que optaram por Educação, 63% dentre os que escolheram cursos na área de Humanidades e artes e 72% dos que pensavam em atuar no futuro em carreiras da Saúde e do bem-estar social. |
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Como tem sido reiterado na literatura, a associação entre a escolaridade e a participação das mulheres no mercado de trabalho é intensa. Assim como os homens, a atividade das mulheres aumenta entre os que têm mais de 8 anos de estudo ( que corresponde à escolaridade obrigatória do primeiro grau), mas são aquelas que têm nível superior de ensino (15 anos ou mais) as mais ativas, com uma taxa de 83% em 2002, ou mais de uma vez e meia a taxa de atividade feminina em geral.
Na fatia formalizada do mercado de trabalho, em que, em princípio se encontram os melhores empregos, a exigência por maiores níveis de escolaridade parece incidir mais sobre as mulheres do que sobre os homens: em 2002, p.ex., 59% dos postos de trabalho ocupados por mulheres requeriam nível de instrução médio e superior, mas a proporção de empregos masculinos que exigiam esses mesmos níveis era bastante inferior ( 36% ).
O fato de as trabalhadoras disporem de credenciais de escolaridade superiores aos seus colegas de trabalho, entretanto, não tem se revertido em ganhos semelhantes, pois os dados deixam claro que homens e mulheres com igual escolaridade obtêm rendimentos diferentes. O fato é que, as relações de gênero vão determinar valores diferentes para profissionais no mercado de trabalho, conforme esse trabalhador seja homem ou mulher. E se a maiores patamares de escolaridade estão associados, de uma forma geral, maiores salários, isso é mais verdade para os homens do que para as mulheres. ( Veja dados na série Ganhos de homens, Ganhos de mulheres).