Das tabelas desta subsérie emerge o padrão estrutural da distribuição das ocupações segundo o sexo , com suas tendências recorrentes que pouco têm se alterado no decorrer do tempo, conforme mostra a distribuição dos ocupados por grupos ocupacionais: nos últimos 32 anos, o lugar das mulheres no mercado de trabalho tem sido preferencialmente, pela ordem, o setor de prestação de serviços(31%), as ocupações da agropecuária (16%), o comércio e as funções administrativas (11% cada) e as ocupações de teor técnico, científico e artístico. Já, 56% dos homens ocupados em 2002 exerciam atividades agropecuárias e industriais.
Podemos dizer que representam continuidades no padrão de ocupação das mulheres, a elevada presença feminina em ocupações de setores tradicionais da indústria, como vestuário e têxtil, bem como a persistência de enorme contingente de mulheres em ocupações do trabalho doméstico e em serviços de higiene e cuidado pessoal no setor de prestação de serviços, além dos tradicionais guetos femininos, como a enfermagem, a nutrição e a fisioterapia, o magistério nos níveis fundamental e médio, a assistência social. Quer dizer, os dados do Censo de 2000 informam que para o grosso do contingente feminino no mercado, as chances de trabalhar são maiores em determinados setores econômicos - principalmente o setor de Prestação de Serviços - , e em grupos de ocupações em que sua presença já é tradicional, como professoras, pessoal de enfermagem, secretárias, recepcionistas etc ( veja também a série O lugar das mulheres no mercado de trabalho: setores de atividade ).
Por outro lado, os mesmos dados sinalizam um movimento de mudança a partir da já considerável fatia das mulheres entre os chefes, gerentes e administradores de empresas e entre profissões técnicas e científicas de prestígio, entre as quais vale ressaltar, a biologia, a medicina, a arquitetura, a odontologia, o jornalismo e as ciências jurídicas em geral, com destaque para promotores e defensores públicos, procuradores de empresas e autarquias
(1) inclui os diferentes tipos de vínculos de trabalho, o com carteira ou formal, o informal, o trabalho doméstico, o não remunerado e aquele destinado ao autoconsumo.