Desigualdades na educação brasileira: ressignificação do abandono no contexto da pandemia

Descrição

 As desigualdades escolares no acesso à educação brasileira e na conclusão nas diferentes etapas da escolarização são uma realidade há muito dimensionada e discutida. Estudos mostram distâncias representativas nos indicadores educacionais, quando considerado o sexo (meninos apresentam maiores taxas de reprovação), a cor/raça (negros têm menores taxas de anos de escolaridade concluídas) e as deficiências (menores taxas de matrículas na educação básica). Se, nas duas últimas décadas, observou-se um desvelamento dessas desigualdades e tentativas de enfrentamento, com a pandemia gerada pela covid-19 modificaram-se significativamente as estratégias de ensinar e as relações entre estudantes e docentes. Foi necessário adaptar-se à necessidade do distanciamento social e ao ensino remoto emergencial, o que revelou aspectos até então não considerados na dinâmica escolar. Boa parte dos alunos e das alunas não possui as condições necessárias para a realização das atividades escolares, como computador, celular, acesso à internet e recursos de acessibilidade, sem falar das necessidades e desafios advindos da própria vivência da pandemia, que pode contribuir para ampliar as desigualdades e consequentemente as taxas de abandono escolar. O presente estudo integra o projeto temático “Educação escolar em tempos de pandemia na visão de professores e estudantes da educação infantil, ensino fundamental e ensino médio: o enfrentamento das desigualdades” e se propõe a identificar as políticas propostas pelas redes de ensino para mitigar o abandono escolar, bem como as estratégias utilizadas pelas/os docentes para romper com os ciclos de exclusão de estudantes da educação básica nesse momento tão adverso no qual estamos inseridos. A metodologia quanti-quali prevê três frentes para a coleta de informações: 1. Levantamento dos indicadores educacionais produzidos por instituições de pesquisa que permita o dimensionamento das taxas de abandono pré-andemia e o momento atual; 2. Análise documental das políticas propostas pelas redes para o enfrentamento nas diferentes esferas governamentais, com foco nas estratégias utilizadas nas redes de ensino dos estados de São Paulo (região Sudeste) e Bahia (região Nordeste); 3. Pesquisa colaborativa com docentes que atuam nos anos finais do ensino fundamental e médio dos estados de São Paulo e da Bahia (respondentes do questionário on-line Educação em tempos de pandemia, FCC-2020), visando a uma compreensão coletiva das causas e dos meios para mitigar o abandono escolar. Essa etapa será desenvolvida a partir de encontros por meio de ferramentas digitais com grupos de docentes. O estudo, visando a contribuir para o campo das desigualdades educacionais de gênero, cor/raça e deficiência, deve resultar em um diagnóstico circunscrito a duas realidades brasileiras distintas – São Paulo e Bahia – da situação do abandono escolar no contexto da pandemia (2020-2021), as estratégias utilizadas pelas redes e sua efetividade a partir da percepção e atuação das/os docentes que atuam nas escolas, participantes do estudo.

Sobre

Pesquisadoras DPE/FCC: Amélia Artes (coord.), Adriana Pagaime, Sandra Unbehaum e Thaís Gava

Financiamento: Fundação Carlos Chagas e Itaú Social

Vigência: 2020-2021

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