Encontro nos territórios: pesquisa publicada pela FCC aborda construção de feminilidades e masculinidades na escola
Estudo foi feito por meio de pesquisas etnográficas e da análise de atividades de extensão com estudantes de escolas públicas de ensino médio no litoral de São Paulo
A construção de feminilidades e masculinidades em territórios foi tema da pesquisaEncontros nos territórios: escola, tecnologias juvenis e gênero, publicada porCadernos de Pesquisa, periódico da Fundação Carlos Chagas.
Resultado do pós-doutorado de Cristiane Gonçalves da Silva, da Universidade Federal de São Paulo - Campus Baixada Santista, o estudo foi feito a partir da análise de atividades do projeto de extensãoJuventudes e funk na Baixada Santista: territórios, redes, saúde e educação, desenvolvido com estudantes do ensino médio de duas escolas públicas em Santos e Guarujá.
A questão norteadora da pesquisa foi o entendimento das feminilidades e masculinidades juvenis nos territórios e nas escolas, a partir das performances de gêneros e a repetição, ou não, de padrões normativos de masculino e feminino. O trabalho da pesquisadora se voltou para o debate sobre o tema das juventudes e das práticas culturais juvenis, dentro de suas singularidades.
O cotidiano das duas escolas selecionadas foi registrado em diários de campo. Além dos registros, foram realizadas entrevistas coletivas com estudantes interessadas na pesquisa, organizadas de acordo com a dinâmica própria da observação e do ritmo da escola.
Com relação aos territórios juvenis das estudantes, foi possível, de acordo com a pesquisadora, acessar outros territórios que compõem o cotidiano escolar, e que se materializam nos corpos das jovens que ocupam a escola. A internet, por exemplo, foi identificada como um território das práticas juvenis dentro da escola – e também fora dela.
De acordo com o estudo, o celular compõe a corporalidade das jovens e o território, e contribui, consequentemente, para aprendizados de gênero. Em suas observações, a pesquisadora identificou como, nas duas escolas analisadas, os celulares contribuem para aumentar a visibilidade nos territórios e na dinâmica das interações, uma vez que os aparelhos eletrônicos constituem relações entre as pessoas na sala de aula e em outros espaços, como na resolução de conflitos, expressões artísticas, pesquisas sobre temáticas diversas e diálogo com educadores.
"O celular adquire significados específicos, enquanto tecnologia juvenil, no modo como é utilizado pelas estudantes, como elemento da configuração do território escolar e compondo corpos juvenis também nas suas performances de masculinidades e feminilidades", afirma a autora Cristiane Gonçalves da Silva no artigo.
O estudo realizado traz à tona a necessidade de maiores investimentos em pesquisas que se debrucem sobre os usos dos celulares pelos jovens e por educadoras, pensando na sua permanência na escola e na construção de subjetividades, masculinidades e feminilidades das educandas.
Saiba mais
Silva, C. G. da. (2019). Encontros nos territórios: escola, tecnologias juvenis e gênero. Cadernos De Pesquisa, 49(171), 180–202.
Recuperado dehttps://publicacoes.fcc.org.br/cp/article/view/5323