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Amelinha Teles

O Grupo Educação e Trabalho: gênero, raça e deficiência na perspectiva dos direitos humanos, recebeu com profundo pesar a notícia do falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles

Departamento de Pesquisas Educacionais da Fundação Carlos Chagas

Publicado em:

16/09/2026 08:00:00

OGrupo Educação e Trabalho: gênero, raça e deficiência na perspectiva dos direitos humanosrecebeu com profundo pesar a notícia do falecimento de Maria Amélia de Almeida Teles. Conhecida por todas e todos comoAmelinha Teles, destaca-se como uma das figuras mais emblemáticas da militância pelos direitos humanos e pela democracia, do combate à violência contra a mulher e do movimento feminista no Brasil. Sobrevivente da repressão da ditadura militar brasileira e atuante na União de Mulheres de São Paulo e no projeto Promotoras Legais Populares, Amelinha construiu uma trajetória marcada pela articulação entre a organização popular de base e o debate intelectual sobre direitos civis e sociais. 

Em dezembro de 2018, as pesquisadoras doGrupo Gênero, raça/etnia: educação, trabalho e direitos humanos, assim denominado à época, tiveram a grata satisfação de sediar no auditório do Departamento de Pesquisas Educacionais (DPE) da Fundação Carlos Chagas, em São Paulo, oSeminário 30 Anos da Carta das Mulheres aos Constituintes – Memória e Balanço, que contou com especial participação de Amelinha Teles. O evento teve como objetivo resgatar a memória do movimento popularmente conhecido como "Lobby do Batom", que articulou feministas de todo o país para influenciar a elaboração da Constituição de 1988, garantindo conquistas históricas no campo da igualdade jurídica, direitos trabalhistas, saúde e proteção contra a violência de gênero. O evento contou com a coordenação executiva de Albertina de Oliveira Costa. Amelinha Teles representou a coordenação do Projeto Promotoras Legais Populares, a União de Mulheres de São Paulo e o Projeto Maria, Marias (Lei Maria da Penha), proferindo palestra sobre a mobilização de base e os desafios enfrentados durante a Assembleia Nacional Constituinte. Com ela dialogaram Hildete Pereira de Melo (UFF), Maria Lúcia de Santana Braga (CNPq), Maria Rosa Lombardi (FCC) e Patrícia Tuma Martins Bertolin (Mackenzie).

Além da colaboração em eventos institucionais, a relação entre Amelinha Teles e as pesquisadoras da Fundação Carlos Chagas encontra raízes históricas no surgimento da imprensa alternativa feminista nas décadas de 1970 e 1980. Enquanto militantes de base como Amelinha Teles e Rosalina Santa Cruz Leite atuavam na criação e manutenção de jornais de resistência política e popular como oBrasil Mulhere oNós Mulheres, a Fundação Carlos Chagas tornou-se, posteriormente, a sede de um dos projetos editoriais feministas de maior circulação do país: o jornalMulherio(1981–1988), que contou com Fúlvia Rosemberg (editora 81-83), Inês Castilho (editora 83-88) e Albertina de Oliveira Costa.

A obra historiográfica de Amelinha Teles e Rosalina Santa Cruz Leite, intituladaDa guerrilha à imprensa feminista: a construção do feminismo pós-luta armada no Brasil (1975-1980)(Editora Intermeios, 2013), tornou-se uma das principais referências bibliográficas consultadas por pesquisadores da FCC e de diversas universidades para mapear as convergências e distinções entre o jornalismo de combate dos anos 1970 e o jornalismo institucional acadêmico doMulherioe que representou uma nova fase da imprensa feminista nos anos 1980, marcada pela institucionalização acadêmica, sucedendo os periódicos militantes da década de 1970 (Brasil Mulher e Nós Mulheres). Nas publicações científicas vinculadas à Fundação Carlos Chagas (como a revistaCadernos de Pesquisae os acervos do portal Educ@) e em pesquisas da FCC, Amelinha Teles figura de forma recorrente como autora citada, fonte historiográfica e referência conceitual nas temáticas luta por creches e direitos das operárias. Em especial, seus escritos sobre os clubes de mães da periferia paulista nas décadas de 1970 e 1980 são frequentemente resgatados, bem como sobre políticas públicas de educação infantil e apoio à maternidade trabalhadora e debates sobre trabalho doméstico remunerado.

OGrupo Educação e Trabalho: gênero, raça e deficiência na perspectiva dos direitos humanosreconhece a imensa e incansável contribuição de Amelinha para assegurar os direitos das mulheres e a reparação histórica das pessoas que deram sua vida na luta pela democracia brasileira.

Por Albertina Costa, Adriana Pagaime, Adriana Sousa, Thais Gava. Rodnei Pereira e Sandra Unbehaum


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