Capes encerra classificação conceitual do Qualis Periódicos e define como será a avaliação da produção científica no Brasil
A atualização dos critérios de categorização de periódicos reconhece a qualidade e a relevância do Portal Educ@ como base temática da área da Educação
Por Adriana Pagaime (Comitê Científico do Educ@) e Nelson Gimenes (Coordenação Geral do Educ@)
11/03/2026 18:18:57
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) anunciou mudanças nos critérios avaliativos para o próximo quadriênio (2025-2028), que não contarão mais com a classificação doQualis Periódicos, até então utilizado pelas áreas de conhecimento para avaliar os programas de pós-graduaçãostricto sensue a sua produção intelectual. O resultado divulgado em janeiro de 2026, referente a 2021-2024, atribuiu, pela última vez, a classificação A1, A2, A3, A4, B1, B2, B3 aos periódicos científicos.
Com o objetivo de orientar as instituições de ensino superior, a Capes também publicou o documento da“Área de Avaliação – Educação”, apresentando as diretrizes que nortearão a avaliação dos programas, considerando a produção de docentes, discentes e egressos.
O documento define, na seção “Perspectivas na avaliação da produção intelectual”, que a formação de discentes e egressos deve gerar aprendizagem de qualidade. Os resultados de suas dissertações e teses, por meio de artigos, livros e outros produtos, devem alcançar não só ampla divulgação do conhecimento produzido, como também evidenciar a qualidade do estudo desenvolvido.
Já para docentes, a avaliação passa a ser um meio de analisar o nível das pesquisas que orientam, partindo da premissa que o professor da pós-graduação em Educação deve ser um bom pesquisador. As produções serão avaliadas a partir dos produtos destacados pelos programas e pelo percentual de docentes com produções bibliográficas de relevância social e acadêmica.
A nova avaliação considera o perfil dos artigos, a partir do nível de consolidação dos periódicos acadêmicos em que eles estiverem publicados, havendo três categorias:Consolidados,Em processo de consolidaçãoeNão consolidados. Essas categorias se subdividem em outras três, que consideram suas publicações dominantemente em língua portuguesa, língua inglesa ou outros idiomas.
Para que um periódico alcance a classificação máxima “Consolidado”, com publicações dominantemente em língua portuguesa”, deve cumprir os seguintes critérios:
- ter pelo menos 10 anos de existência e publicação contínua;
- ter índice h5 (Google Scholar) igual ou superior ao terceiro quartil da área para os periódicos de língua portuguesa;
- estar inserido em pelo menos uma das seguintes bases nacionais ou internacionais de maior visibilidade:Educ@, SciELO BR, Scopus, Web of Science.
A avaliação da produção docente almeja combater o chamado produtivismo e valorizar a divulgação dos resultados de pesquisas que apresentam maior qualidade, tendo como referência quatro produtos no quadriênio. O objetivo é se afastar da lógica de pontuação por diversos produtos, buscando analisar, nesse tipo de produção, apenas artigos em periódicos acadêmicos. Já os livros e outras produções técnico-tecnológicas devem ser reconhecidos pelos programas por uma avaliação qualitativa no quesito impacto, conformedocumento da área.
Nesse cenário de mudanças, o PortalEduc@se destaca como a principal base temática nacional da área de Educação, com mais de 60 periódicos em sua coleção. No último quadriênio avaliado, 70% dessas revistas alcançaram o estrato máximo A1 do Qualis Periódicos, e 20% a classificação A2.
Criado há 15 anos pela Fundação Carlos Chagas (FCC), oEduc@reflete um histórico de compromisso e responsabilidade com a produção científica brasileira. Além de ser um meio qualificado que promove a visibilidade para os periódicos, o Portal contribui para a formação de equipes editoriais com ações que incentivem o acesso aberto e gratuito.
Saiba mais:
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