Notícias

  • Início
  • |
  • Notícias
  • |
  • Equidade na carreira acadêmica: mulheres são maioria na formação científica brasileira
www.fcc.org.br

Equidade na carreira acadêmica: mulheres são maioria na formação científica brasileira

Dados do Plano Nacional de Pós-Graduação apontam que 57% das pessoas tituladas na pós-graduação no Brasil são mulheres

JADE GONCALVES CASTILHO LEITE

Publicado em:

20/05/2026 15:13:43

Elas são maioria na formação científica e acadêmica brasileira. Segundo oPlano Nacional de Pós-Graduação 2025-2029 (PNPG)mostram que 57% das pessoas com título de pós-graduação no Brasil são mulheres. O resultado não é novidade, de acordo com o Ministério da Educação. Apesar de serem maioria entre as doutoras no Brasil há mais de 20 anos, as mulheres representam apenas 43% do corpo docente da pós-graduação. 

Fato que evidencia o chamado “efeito tesoura”, em que muitas mulheres entram e concluem o doutorado, mas menos delas conseguem se tornar professoras e pesquisadoras permanentes. Os desafios para as mulheres na busca de uma carreira científica e acadêmica são inúmeros, como a dificuldade em progredir, os estereótipos sociais sobre os papéis de gênero, discriminação, preconceitos, etc. 

Nas áreas de STEM, acrônimo em inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática, esse cenário é ainda mais presente. Em engenharia, por exemplo, apenas 23% do corpo docente é feminino. Em ciências exatas e da terra, o patamar é de 24%. O PNPG identifica o período de maternidade como um fator importante de impacto na carreira científica feminina. 

Nesse sentido, o MEC tem empreendido ações de incentivo à participação de mulheres nessas áreas, como um maior investimento na política de concessão de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Atualmente, 58% das bolsas em todo o país são de mulheres. 

Em 2024, a pasta também ampliou o período de conclusão de cursos ou de programas de bolsa por até 180 dias para mães que passaram pelo parto, nascimento de filhos, adoção ou obtenção de guarda judicial para fins de adoção. Segundo o MEC, é concedido o dobro do tempo para mães de crianças ou adolescentes com deficiência. 

Além disso, a Capes promove o programa Abdias Nascimento, o qual destina 50% das bolsas de missões no exterior a pesquisadoras autodeclaradas pretas, pardas, indígenas, pessoas com deficiência ou altas habilidades. A entidade também promove o Prêmio Futuras Cientistas, que reconhece o trabalho de meninas do ensino médio nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.  

Ações como essas são fruto do Comitê Permanente de Ações Estratégicas e Políticas para Equidade de Gênero da Capes, criado em 2024, que visa sugerir ações e iniciativas para aumentar a representatividade feminina em posições de decisão e comando na pós-graduação.

Uma pesquisa publicada pela Fundação Carlos Chagas realizou omapeamento de projetosaprovados nas chamadas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para o programa Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação. 

O levantamento analisou propostas aprovadas dos anos 2013 e 2018 e buscou compreender a percepção de cinco coordenadoras entrevistadas sobre a importância desses projetos. As chamadas do CNPQ do Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação fomentam a participação feminina nas áreas de ciências exatas e tecnológicas, onde as mulheres estão sub-representadas, e combatem a segregação horizontal.

O estudo concluiu que as chamadas do órgão foram marcos importantes para as políticas afirmativas de equidade de gênero no Brasil, agindo como catalisadoras para a disseminação de iniciativas na temática de gênero na educação em STEM. 

Os resultados da pesquisa e das iniciativas promovidas pelo Governo reforçam a importância de uma perspectiva feminista e depromoção da equidade de gênero nas políticas públicas educacionais brasileiras

Relacionados