Guia de comunicação do Ministério das Mulheres aborda igualdade de gênero e linguagem inclusiva
Documento propõe uso dados com recorte de raça e gênero e tratamento responsável da violência contra mulheres
Jade Castilho
22/10/2026 10:14:57
Como promover uma comunicação voltada para a igualdade de gênero? O Ministério das Mulheres lançou oGuia de Comunicação Pública para Igualdade de Gênero, documento que busca orientar as assessorias de comunicação do setor público.
A comunicação pública, de acordo com o Guia, visa garantir direitos da cidadania, especialmente com relação à transparência, ao acesso, à interação e à ouvidoria social. Dividido em sete eixos operacionais, o documento visa auxiliar profissionais da comunicação no processo de construção de conteúdos.
Comunicar com igualdade de gênero, nesse sentido, envolve decisões estruturantes sobre o que comunicar, para quem, com quais dados e se há representatividade de fontes e pessoas entrevistadas.
Um dos eixos operacionais do Guia se direciona ao uso obrigatório de dados desagregados de gênero e raça em comunicações sobre recortes populacionais, para evitar a generalização e evidenciar desigualdades reais. Outro eixo é o da interseccionalidade, conceito cunhado pela advogada e pesquisadora negra estadunidense, Kimberlé Crenshaw, nos anos 1980, em que se deve considerar os marcadores sociais da diferença em operação nas estruturas que reforçam as desigualdades sociais.
Para o guia, raça, classe, território, idade, deficiência e orientação sexual devem compor a linguagem, conteúdos e imagens para atender a pluralidade das mulheres. Um terceiro eixo é o da linguagem não sexista, direcionado ao combate do “masculino genérico”, que exclui as mulheres do espaço público e político.
Assim, esse eixo recomenda estratégias como dupla flexão, substantivos coletivos/abstratos, voz passiva sintética e ocultação do sujeito. O eixo sobre abordagem da violência na comunicação alerta para o tratamento da violência como problema público e estrutural, reduzindo e rejeitando o emprego de termos minimizadores, como “briga de casal” e “crime passional”.
O Guia propõe a precisão conceitual, como Lei Maria da Penha e feminicídio, além de reforçar a responsabilização do agressor, evitando a voz passiva, proteção à identidade da vítima e divulgação obrigatória da rede de proteção e canais de denúncia (como o Ligue 180).
Outro critério abordado pelo documento é o de equilíbrio na seleção de pessoas entrevistadas e especialistas, garantindo a pluralidade de gênero, de raça e de territórios, inclusive em pautas técnicas e científicas. A diversidade nas equipes, outro eixo proposto pelo Guia, defende a representatividade substantiva e equipes multidisciplinares e diversas nos órgãos de comunicação, como requisito para uma comunicação legítima e democrática.
O último eixo estruturante para uma comunicação pela igualdade de gênero é o de ouvidoria social, o qual substitui a presunção interna por consultas sistemáticas e escuta ativa de mulheres reais, por meio de reuniões de pauta compartilhadas, redes sociais e consultas públicas, antes da veiculação de campanhas.