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“Toda escola produz formas de relação social”: pesquisadora destaca políticas de convivência escolar no Chile

Professora Verónica López participou do 1º Seminário Internacional de Pesquisa do CCDEB e abordou as diferenças entre as propostas de regulação do clima escolar no Chile e no Brasil

Jade Castilho

Publicado em:

26/06/2026 10:07:42

Embora existam limitações para comparar as realidades educacionais do Chile e do Brasil — dadas as dimensões territoriais e populacionais distintas —, ambos os países enfrentam desafios significativos relacionados à violência escolar. A professora e pesquisadora chilena Verónica López destacou as diferenças entre as políticas públicas voltadas para a regulação da convivência escolar entre os dois países latino-americanos. 

Co-presidente doObservatório Internacional para o Clima Escolar e a Prevenção da Violência (IOSCVP), a docente da Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso esteve presente no1º Seminário Internacional de Pesquisa Aprendizagens e Convivência Escolar, realizado entre os dias 18 e 20 de maio de 2026 e promovido pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento da Educação Básica (CCDEB).

O evento teve como tema as aprendizagens e convivência na escolarização, os desafios e as ações para o desenvolvimento e formação humana e a implementação de políticas públicas na Educação Básica. Durante a programação, pesquisadores e docentes de nove países puderam compartilhar experiências e estudos sobre convivência escolar, direitos humanos, democracia e clima escolar na Educação Básica.

Em entrevista, Verónica destaca a dualidade nas políticas do Chile relacionadas à convivência escolar. Elas apresentam, para a pesquisadora, uma dupla lógica: uma vertente foca na convivência democrática e inclusiva, promovendo a participação estudantil e o uso de instrumentos para avaliar o clima escolar; outra vertente é considerada reativa e punitiva, voltada a situações de violência grave com foco em sanções imediatas.

“Temos uma que fala de convivência democrática inclusiva, que precisa fortalecer a participação dos estudantes, redes de conversa entre os alunos, para o que se requer informação através de instrumentos válidos, confiáveis de avaliação do clima da convivência escolar. E há outra lógica que é muito mais reativa às situações de violência escolar grave, com consequências graves, cuja resposta deve ser imediata de castigo, de sanção, de punição”, comenta a pesquisadora. 

Historicamente, o Chile foi pioneiro na regulação de convivência escolar. Em 2002, instaurou a Política Nacional de Convivência Escolar, um marco orientador do Ministério da Educação (Mineduc) voltado para a promoção do diálogo, do bem-estar socioemocional e da resolução pacífica de conflitos em toda a comunidade escolar, mudando o foco da punição para a formação e a prevenção. 

Após esse período, o país sancionou leis relacionadas à violência escolar, como a promulgada em 2011 e atualizada em 2024. Algumas propostas regulatórias, nesse sentido, seguiram uma lógica mais punitiva e de controle de estudantes considerados “perigosos”. 

Atualmente, o Chile vivencia um momento de transição com a promulgação de uma lei de convivência e bem-estar escolar, ao mesmo tempo em que tramita o projeto "Escolas Protegidas", que propõe medidas como a revisão de pertences e sanções que podem comprometer a trajetória educacional dos alunos.

“Toda escola produz relações, formação de relação social. Não existe neutralidade na convivência escolar”, ressalta Verónica. 

Com relação à gestão e ao monitoramento, o sistema educacional conta com a figura do encarregado de convivência escolar e utiliza o Diagnóstico Integral de Aprendizagens (DIA). O DIA é uma ferramenta que avalia não apenas linguagem e matemática, mas também habilidades socioemocionais e convivência, permitindo que as escolas identifiquem problemas específicos por turma e direcionem melhor seus recursos e prioridades. 

Nesse cenário, de acordo com Verónica, é como se, em uma mesma escola, houvesse a preocupação com a diversidade e, ao mesmo tempo, punições em virtude do desempenho no ranking. “Toda escola produz relações, formação de relação social. Não existe neutralidade na convivência escolar”, ressalta Verónica. 

Por fim, segundo a docente, o objetivo central para a formulação de políticas públicas direcionadas à convivência escolar é promover um diálogo entre as contribuições científicas e os tomadores de decisão, visando maior consistência e coerência sistêmica nas normas educacionais, superando a mera aplicação de leis normativas focadas apenas na punição.

“As realidades são bem distintas entre o Brasil e o Chile, mas ambos os países tiveram situações muito fortes de acontecimentos relacionados com violência em nossas escolas, mas podemos colocar nossas contribuições científicas em discussão, em diálogo com os políticos, para gerar maior consistência, maior coerência sistêmica nas políticas educativas relacionadas com violência”, finaliza Verónica.

Acesse a entrevista em vídeo noperfil da FCC noInstagramou no canal da instituição no YouTube

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