Pesquisa e Educação

  • Início
  • |
  • Pesquisa e Educação
  • |
  • Raça nas tessituras da educação e do trabalho: tramas, alterações e desafios para a pesquisa e para as políticas públicas
www.fcc.org.br

Raça nas tessituras da educação e do trabalho: tramas, alterações e desafios para a pesquisa e para as políticas públicas

O projeto Raça nas Tessituras da Educação e do Trabalho investiga as transformações produzidas pela população negra brasileira nos campos da educação e do trabalho entre 2012 e 2024, tomando a raça como dimensão estruturante da vida social e articulando-a a marcadores como gênero, classe, território e geração. Partindo do reconhecimento de que as últimas décadas foram marcadas por importantes alterações nas formas de acesso à educação, de inserção profissional e de produção de conhecimento pela população negra, a pesquisa busca compreender como essas mudanças vêm reconfigurando trajetórias individuais e coletivas e produzindo novas demandas para a pesquisa e para as políticas públicas.

Embora indicadores sociais revelem avanços importantes, como a ampliação da presença negra no ensino superior, persistem desigualdades raciais expressas na precarização do trabalho, na sub-representação em posições de prestígio e poder e na permanência de mecanismos de discriminação que atravessam diferentes estratos ocupacionais. O projeto parte da hipótese de que parte dessas dinâmicas permanece insuficientemente compreendida porque as metodologias tradicionalmente utilizadas para analisar desigualdades raciais tendem a privilegiar comparações entre grupos raciais, oferecendo menor capacidade de captar as estratégias, os conhecimentos, as formas de mobilidade e as transformações produzidas pela própria população negra em seus contextos sociais.

Nesse sentido, a pesquisa propõe um deslocamento analítico que combina a investigação das desigualdades raciais com uma crítica às formas pelas quais elas têm sido observadas e interpretadas. Inspirada por contribuições do pensamento negro, do feminismo negro e por debates sobre temporalidades não lineares, a proposta incorpora a noção de práticas de fissura como ferramenta analítica para compreender como sujeitos negros produzem alterações nas relações de trabalho, nos espaços educacionais e nas oportunidades coletivas, mesmo em contextos marcados pela persistência do racismo sistêmico.

A pesquisa estrutura-se em quatro eixos analíticos interdependentes. O primeiro dedica-se à crítica metodológica racialmente situada, examinando os limites e potencialidades das metodologias que orientam os estudos sobre raça, educação e trabalho. O segundo incorpora abordagens temporais intergeracionais e não lineares para compreender como experiências passadas, presentes e futuras se articulam nas trajetórias da população negra. O terceiro analisa as relações entre raça, políticas públicas e reprodução das desigualdades, investigando os efeitos das ações estatais sobre diferentes grupos da população negra. Por fim, o quarto eixo integra os resultados produzidos ao longo da pesquisa, consolidando a raça como dimensão estruturante da análise e traduzindo os achados em instrumentos voltados à produção de conhecimento e à incidência em políticas públicas.

Ao articular análise empírica, inovação metodológica e compromisso com a transformação social, o projeto pretende contribuir para o aprimoramento das pesquisas sobre raça no Brasil e para a formulação de políticas públicas mais capazes de enfrentar o racismo sistêmico. Entre os produtos previstos estão relatórios técnico-científicos, estudos metodológicos, publicações acadêmicas, instrumentos de apoio à pesquisa racializada e recomendações voltadas à promoção da equidade e da justiça social.

 

Equipe DPE:

Coordenação: Adriana Sousa

Pesquisadores parceiros: Rodnei Pereira (Pesquisador do DPE), Suelaine Carneiro (Geledés), Uvanderson Silva (Tide Setúbal), Fabiana Jardim (USP), Natalino Silva (UFMG)

Financiamento: FCC e Fundação Tide Setúbal

Vigência: 2025 - 2027