Pesquisa e Educação

www.fcc.org.br

Saindo da crise: as novas configurações dos trabalhos de cuidado

Esse projeto analisou as características dos trabalhos de cuidado no Brasil, entre os anos de 2022 e 2024, nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Bahia. Esse tipo de trabalho é historicamente exercido pelas mulheres, em atividades de enfermagem desenvolvidas em clínicas, casas de repouso, hospitais e a domicílio, bem como em atividades domésticas, no cuidado de crianças, idosos e enfermos. Tais atividades vêm crescendo devido tanto ao envelhecimento da população e à falta de equipamentos públicos voltados ao atendimento de idosos e incapacitados, quanto pela entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho desde os anos 1970, ao lado da escassez de creches e escolas públicas de tempo integral. Esse processo gerou: diversificação dos vínculos de trabalho; surgimento de novas configurações, como o trabalho plataformizado; recrudescimento de outras configurações pré-existentes, como o terceirizado, por conta própria e informal; bem como a diferenciação das condições de trabalho. Adicione-se o fato de que muitas cuidadoras foram instadas a não mais deixar o local de trabalho a partir da pandemia para evitar a contaminação. A pesquisa realizada no âmbito da FCC centrou-se na formação profissional das cuidadoras de idosos, observando as mudanças e permanências na estrutura e organização dos processos formativos. As análises demonstram que as cuidadoras parecem se qualificar para o trabalho, sobretudo na experiência no setor de cuidados, muito próximo ao que acontece com o trabalho doméstico, podendo ou não procurar uma formação específica durante sua trajetória. A maior parte das cuidadoras consultadas realizou cursos livres de formação, mas isso não tem se configurado como uma exigência para o emprego, notadamente nos domicílios, onde se constata, ainda, um acúmulo significativo entre trabalho doméstico e trabalho de cuidados pelas mulheres, cuja remuneração é bastante variável e deficitária.

Coordenação: Márcia de Paula Leite (Unicamp)

Pesquisadora: Liliane Bordignon de Souza

Pesquisadores parceiros: Beatriz Gallotti Mamigonian (Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC), Clarisse Goulart Paradis (Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira – Unilab), Glaucia Cristina Candian Fraccaro (UFSC), Magda

Barros Biavaschi (Unicamp), Marcelo Prado Ferrari Manzano (Unicamp) e Marilane Oliveira Teixeira (Unicamp)

Financiamento: CNPq (Processo n. 403679/2021-4) e FCC

Vigência: 2022-2025