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Três décadas de múltiplos olhares

Em uma rede de colaboração e formação, trajetória de Sandra Unbehaum, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas, é marcada por parcerias inovadoras nas áreas de gênero e políticas educacionais

14/06/22 | Por Luanne Caires

Fundação Carlos Chagas. Gênero, Raça/Etnia: Educação, Trabalho e Direitos Humanos. Três décadas de múltiplos olhares. Sandra Unbehaum. A imagem tem fundo cinza e o texto tem as cores cinza escuro e vermelho. No canto superior direito, há detalhes ondulados em vinho.

A Fundação Carlos Chagas é uma instituição pioneira no desenvolvimento dos estudos de gênero no Brasil e segue como referência na área com as produções de seu grupo Gênero, Raça/Etnia: Educação, Trabalho e Direitos Humanos. Hoje, o grupo é composto por cinco mulheres à frente de projetos de pesquisa, além de uma equipe de bolsistas e colaboradores. Para resgatar o caráter colaborativo, inspirador e histórico do processo de construção de conhecimento na área de gênero e equidade, a série Gênero, raça e etnia: uma história de pesquisa tecida a muitas mãos apresentará, ao longo dos meses de junho e julho, como mulheres e pesquisadoras desse campo de estudos influenciaram as trajetórias de cada uma das mulheres que integram esse grupo de pesquisa na Fundação Carlos Chagas.

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A jornada de Sandra Unbehaum nos estudos de mulheres e gênero confunde-se com sua própria história enquanto integrante da Fundação Carlos Chagas. Formada em Sociologia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 1991, Sandra afirma que  aprendeu a fazer pesquisa quando, no mesmo ano, ingressou na Fundação para trabalhar como auxiliar da socióloga Cristina Bruschini. À época, Cristina — reconhecida por sua atuação em análises da divisão sexual do trabalho e das relações familiares e urbanas — coordenava o Programa de Dotação para Pesquisa sobre Mulheres e Relações de Gênero. 

O Programa contava com apoio da Fundação Ford e, de 1978 a 1998, financiou mais de 170 projetos de pesquisa sobre mulheres. “Foi por meio desse programa e colaborando com as atividades da última edição, como os seminários e com um registro histórico desta iniciativa, que eu pude conhecer mulheres como Heleieth Saffiotti, Bila Sorj, Celi Pinto, Sueli Carneiro, Lourdes Bandeira, Mary Castro, Maria José Nunes Rosado, Maria Betânia D’Avila, Sonia Correa, Malu Heilborn, Danielle Ardaillon, entre muitas outras estudiosas de diversas áreas das ciências humanas”, lembra Sandra. Ela ainda destaca que um dos projetos mais desafiadores de sua carreira foi feito em parceria com Danielle Ardaillon e resultou na produção do primeiro, e ainda único, Tesauro para Estudos de Gênero e sobre Mulheres

O início na Fundação Carlos Chagas, que abriu portas para a atuação de Sandra na pesquisa sobre gênero, teve contribuição importante da socióloga Albertina de Oliveira Costa. Pesquisadora e hoje consultora da instituição, Albertina é referência em estudos de gênero, direitos humanos, movimentos sociais e feminismo. Foi com ela que Sandra se aproximou da temática de direitos sexuais e reprodutivos das mulheres. Sua formação nos estudos de gênero na educação se aprofundou, em 1995, nas relações com o grupo de estudos posteriormente nomeado EDGES – Estudos de Educação, Gênero e Cultura Sexual, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FEUSP). O convite para participar deste grupo veio de Cláudia Pereira Vianna e Marília Carvalho, professoras da FEUSP e ambas contempladas pelo Programa de Dotação para Pesquisa sobre Mulheres e Relações de Gênero. “Além de estudar, discutíamos nossos projetos de pesquisa, com generosidade e troca de saberes, que tornou-se a marca registrada deste grupo até os dias atuais”, afirma Sandra.

Com Cláudia Vianna, Sandra participou de um projeto sobre políticas educacionais e de gênero, que rendeu várias publicações, como o artigo O gênero nas políticas públicas de educação no Brasil: 1988-2002, publicado nos Cadernos de Pesquisa. 

“A base da minha formação como pesquisadora foi sendo constituída a partir desta relação com essas mulheres e com outras, como minhas atuais parceiras de grupo Amélia Artes, Thaís Gava, Adriana Pagaime e Maria Rosa Lombardi, que, com perspectivas epistemológicas e metodológicas distintas, me alimentam e inspiram a seguir com uma construção colaborativa, respeitosa e generosa de conhecimentos sobre as desigualdades de gênero, prática que buscamos manter em nosso grupo de pesquisa na Fundação Carlos Chagas”, finaliza Sandra.

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Gênero, Raça/Etnia: Educação, Trabalho e Direitos Humanos
As pesquisas do grupo privilegiam a análise das relações de gênero e étnico-raciais em diferentes espaços de interação social, visando a promover os direitos humanos de populações historicamente discriminadas.

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