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  3. Mulherio Outros Olhares

Fotografias e ilustração em preto e branco de quatro mulheres, dispostas lado a lado. Em destaque sobre o centro da composição, a palavra Mulherio aparece escrita três vezes, em sequência de cima para baixo nas cores laranja, branco e verde.

Fotografias e ilustração em preto e branco de quatro mulheres, dispostas lado a lado. Em destaque sobre o centro da composição, a palavra Mulherio aparece escrita três vezes, em sequência de cima para baixo nas cores laranja, branco e verde.

Um marco que inspira

A potência de uma mensagem pode ser medida pela duração de seus ecos e de seu prestígio na história. Neste sentido, o Mulherio mantém seu papel de destaque na intersecção entre dois grandes campos de pesquisa e atividade social: os estudos de gênero e o debate sobre a imprensa.

Durante os oito anos em que foi publicado, o Mulherio evidenciou mulheres como protagonistas, e fez isso tanto em suas páginas quanto em seus bastidores de produção. Não é por acaso que lembranças e influências reverberam até os dias de hoje, em relatos de pessoas que passaram pelo jornal, pessoas que se engajaram em sua leitura (e por meio dela) ou que utilizam suas palavras e imagens como instrumentos de pesquisa e produção de novos conhecimentos.

A Fundação Carlos Chagas tem somado esforços para ampliar as vozes e olhares acerca dessa produção que marcou a imprensa feminista brasileira. Assim, deixamos o convite para que você prossiga a leitura e conheça relatos inéditos sobre o Mulherio, a partir de diferentes gerações de mulheres.

Novos depoimentos

O logotipo criado pelo Derli Barroso para o jornal expressava magistralmente tudo que o Mulherio aspirava ser: forte, sedutor, irreverente (foi até objeto de tese de mestrado).
Esta aspiração foi concretizada pelo extraordinário alinhamento de energias e criatividade de um grupo diverso de feministas, num momento em que o país vivia uma busca quase desesperada por novas alternativas políticas e sociais. (...)

Quando a Ford nos ofereceu uma verba especial para financiar um pacote de pesquisas, decidimos quebrar várias barreiras. (...) O Mulherio foi a expressão máxima da queda da barreira acadêmica. Criar um jornal feminista dentro de uma instituição criada para fazer vestibulares de Medicina, foi algo surrealista. Os cientistas que eram os dirigentes da Carlos Chagas foram extraordinariamente flexíveis e as jovens pesquisadoras extremamente ousadas. A flexibilidade e a ousadia só foram possíveis porque o momento político e social estava em ebulição. (...)

Tínhamos paixão por tudo que fazíamos. Como mulheres jovens, a maioria com filhos pequenos, compreendíamos os desafios pessoais de cada uma, e desenvolvemos relações de confiança e solidariedade.

O Mulherio+35 foi uma grande homenagem à minha mãe [Fúlvia Rosemberg] e às outras tantas mulheres que fizeram dessa publicação, tão moderna e necessária, um importante marco para a chamada segunda onda do feminismo no Brasil.

Quando eu era pequena, fui muitas vezes na sede do Mulherio e lembro do meu encantamento ao ver tantas mulheres potentes, inteligentes e prafrente escrevendo sobre questões relacionadas aos feminismos, interseccionalidade de gênero e raça e tantas outras pautas.

Elas eram mulheres à frente do seu tempo, que deixaram seu legado e abriram uma grande picada para que nós, mulheres mais jovens, pudéssemos passar com mais segurança, alargando a via e ampliando discussões e ações.

Para além de apontar denúncias e engrossar a qualidade dos debates, a importância do jornal, foi e é, de marcar de uma vez por todas que um país democrático só será possível com uma real, concreta e contundente equidade racial e de gênero.

Um brinde ao Mulherio e a todas aquelas que lutaram para uma sociedade mais justa e saudável.

Meu primeiro contato com o Mulherio foi nos anos noventa, quando cheguei na Fundação! E eu fiquei muito encantada com a ousadia da publicação e com o cuidado estético, as fotos, as ilustrações. Sempre que folheio suas páginas me espanto com a atualidade do conteúdo. Muitas coisas mudaram do ponto de vista de conquista dos direitos das mulheres e, ao mesmo tempo, houve pouca transformação na maneira como as mulheres ainda são tratadas pela sociedade hoje em dia, em pleno século XXI: basta ver o feminicídio gritante, as desigualdades no âmbito do trabalho e da política, o racismo e a lgbtfobia...todos esses temas estão frescos nas páginas amareladas dos seus vários fascículos.

Recomendo muito a leitura para as pessoas que desejam saber sobre a luta das mulheres brasileiras pelos seus direitos mais fundamentais, para estudantes que desejarem conhecer um jornal potente em conteúdo, cujo princípio era abordar de modo aprofundado problemas variados que afetam as mulheres, a partir de diferentes posições; o cuidado em expressar ideias com ilustrações. O Mulherio é, sem dúvida, um ícone da história do feminismo brasileiro.

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