Avaliar para aprender: estudo propõe modelo colaborativo para avaliação da educação matemática
Pesquisa apresenta proposta que integra diferentes formas de avaliação à resolução de problemas, com incentivo à participação, ao raciocínio e à colaboração entre os estudantes
Como avaliar o que um estudante aprende em matemática sem olhar apenas para a resposta final ou para a nota de uma prova? Essa questão está no centro do estudoAvaliação em educação matemática: Propondo um modelo avaliativo colaborativo, desenvolvido por Vilmar Ibanor Bertotti Junior, Ricardo Gonçalves, Janaína Poffo Possamai e Norma Suely Gomes Allevato, publicado na revistaEstudos em Avaliação Educacional (EAE), da Fundação Carlos Chagas.
A pesquisa apresenta um modelo que observa duas dimensões da aprendizagem. A primeira considera como os estudantes participam da resolução, a partir de aspectos como autonomia, envolvimento e argumentação. A segunda analisa o que o grupo registra, considerando a clareza das ideias, os resultados encontrados e o detalhamento das respostas. Assim, uma resposta correta deixa de ser a única evidência de aprendizagem: estratégias, justificativas, discussões e formas de comunicar o raciocínio também ganham espaço na avaliação.
Para isso, o estudo articulou duas pesquisas anteriores: a dissertação de mestrado de Bertotti (2021), que propôs indicadores para avaliar a participação e as resoluções dos estudantes, e a tese de doutorado de Gonçalves (2023), que investigou diferentes formas de avaliação associadas à Resolução de Problemas. Com a orientação e colaboração das demais autoras, essas contribuições foram retomadas e ampliadas para propor uma avaliação que acompanhe não apenas o resultado, mas também o caminho percorrido pelo estudante para aprender matemática.
O objetivo foi integrar avaliação, ensino e aprendizagem, para que o professor acompanhe o estudante durante a construção do conhecimento, em vez de avaliar somente ao final de uma atividade ou conteúdo. Nessa perspectiva, avaliar também significa observar como os estudantes constroem soluções, discutem ideias, justificam escolhas e comunicam o raciocínio matemático.
A proposta oferece ao professor critérios para acompanhar o processo e o produto da aprendizagem de forma articulada. Os indicadores podem ser adaptados ao objetivo da atividade, ao ano escolar e ao conteúdo trabalhado. O estudo também abre caminho para novas pesquisas que validem e adaptem o modelo em diferentes contextos educacionais. Mais do que atribuir uma nota, a proposta da pesquisa convida a pensar a avaliação como parte do próprio ato de aprender.
REFERÊNCIAS
Bertotti, V. I., Jr. (2021). A resolução de problemas como proposta de abordagem do conteúdo de integração numérica em aulas de cálculo numérico na educação superior: Uma prática educativa realizada em contexto de ensino remoto [Dissertação de mestrado, Universidade Regional de Blumenau].https://bu.furb.br/docs/DS/2021/367905_1_1.pdf 
Bertotti, V. I., Jr., Gonçalves, R., Possamai, J. P., & Allevato, N. S. G. (2026). Avaliação em educação matemática: Propondo um modelo avaliativo colaborativo. Estudos Em Avaliação Educacional, 37, e11555.https://doi.org/10.18222/eae.v37.11555
Gonçalves, R. (2023). Avaliação integrada ao ensino e aprendizagem significativa das funções definidas por várias sentenças através da resolução de problemas. [Tese de doutorado]. Universidade Cruzeiro do Sul.
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