Estudo mostra que a ciência aberta pode tornar a pesquisa brasileira mais transparente, colaborativa e inclusiva
Segundo pesquisa, mudança depende de financiamento contínuo, de infraestrutura, de formação e de critérios de avaliação que valorizem conteúdo dos trabalhos sem ampliar desigualdades
Quando uma pesquisa é financiada com recursos públicos, espera-se que, em virtude do caráter social de financiamento, seus resultados sejam conhecidos, verificados e reutilizados para a sociedade como um todo.
Um estudo de pesquisadores da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) mostra que a ciência aberta pode ampliar a transparência, a cooperação e o impacto social da produção científica brasileira. No entanto, abrir o conhecimento não significa apenas liberar o acesso aos artigos.
Os autores analisaram documentos institucionais e textos técnico-científicos publicados entre 2022 e 2025. O objetivo da pesquisa, publicada na revista Estudos em Avaliação Educacional, da Fundação Carlos Chagas, foi compreender como a adoção de práticas abertas de popularização da ciência relaciona-se com as mudanças na avaliação da ciência no Brasil, especialmente em relação à substituição do modelo centrado na classificação das revistas. A análise reuniu os argumentos em dois grupos: avanços e tensões.
Entre os avanços estão a possibilidade de avaliar cada pesquisa por sua contribuição, fortalecer periódicos e repositórios nacionais, compartilhar dados e métodos e reduzir as desigualdades entre instituições. As tensões envolvem a falta de financiamento contínuo, infraestrutura desigual, custos cobrados por grandes editoras, proteção de dados sensíveis e a necessidade de formar pesquisadores para novas práticas. Sem apoio, as exigências de abertura da ciência podem beneficiar apenas instituições que já dispõem de melhores condições.
O estudo propõe uma avaliação mais responsável, políticas de gestão e de compartilhamento de dados, apoio estável a plataformas nacionais, como a SciELO (Scientific Electronic Library Online), transparência nos acordos de publicação, medidas de equidade regional e formação em ciência aberta na pós-graduação. A principal conclusão formulada pelos pesquisadores autores é simples: trocar uma métrica por outra não basta. Para a pesquisa, a mudança exige coordenação entre agências de fomento, universidades, periódicos, bibliotecas e pesquisadores para que o conhecimento aberto também seja sustentável, seguro e socialmente justo.
REFERÊNCIAS
Ferreira, C. L., Pilatti, L. A., Cantorani, J. R. H., & Picinin, C. T. (2026). Ciência aberta e avaliação científica no Brasil: Entre avanços e tensões. Estudos em Avaliação Educacional, 37, Artigo e11862.https://doi.org/10.18222/eae.v37.11862 
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