Como medir a infraestrutura das escolas brasileiras?
Pesquisa analisa mensuração da infraestrutura de escolas brasileiras no ensino médio e aponta desigualdades das condições de ofertas entre escolas, redes e regiões no Brasil
A infraestrutura das escolas influencia e condiciona as oportunidades de aprendizagem. Laboratórios, bibliotecas, acesso à internet e condições básicas, como água e energia, fazem diferença no cotidiano escolar. Aprender sobre reações químicas sem laboratórios adequados é um desafio, assim como estudar sem acesso à internet ou até mesmo ao saneamento básico.
Estudo publicado pela revistaEstudos em Avaliação Educacional, da Fundação Carlos Chagas, propõe umIndicador de Infraestrutura Escolar (IIE) para escolas brasileiras que ofertam o ensino médio, com base em dados do Censo Escolar entre 1997 e 2023. A escolha por essa etapa está relacionada ao avanço recente das políticas de educação técnica e profissional, como a reforma do ensino médio, as novas iniciativas de financiamento público que devem ocorrer via Juros pela Educação e a criação do Sistema Nacional de Educação Profissional e Tecnológica.
Os resultados mostram que os recursos básicos estão praticamente universalizados nas escolas de ensino médio. No entanto, itens como laboratórios específicos, recursos de acessibilidade e equipamentos tecnológicos ainda não são realidade para todas as escolas. As diferenças são mais acentuadas entre áreas urbanas e rurais e entre redes de ensino. O indicador também apresenta associação relevante com o nível socioeconômico das escolas, evidenciando como infraestrutura e desigualdade caminham juntas.
A pesquisa compara diferentes metodologias para construir o indicador, como médias de subíndices, análise de componentes principais e Teoria da Resposta ao Item. O objetivo foi desenvolver uma medida sintética, transparente e replicável, capaz de sintetizar dezenas de informações em um único índice. O estudo utilizou dados administrativos públicos e foi desenvolvido em software livre, com foco na abertura e na possibilidade de uso por outros pesquisadores e gestores.
Construir um indicador sintético permite comparar municípios, estados e redes ao longo do tempo, além de apoiar políticas públicas mais orientadas por evidências. O estudo reforça a importância de monitorar não apenas resultados educacionais, mas também as condições concretas de oferta da educação. A consolidação de métricas nacionais sobre infraestrutura pode contribuir para reduzir desigualdades e fortalecer o debate público sobre qualidade educacional.
REFERÊNCIAS
Alcantara, V. G. (2025). Indicador de infraestrutura escolar para escolas brasileiras. Estudos Em Avaliação Educacional, 36, Artigo e11835.https://doi.org/10.18222/eae.v36.11835
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