Divulgação Científica

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Como se faz a gestão democrática na escola, afinal?

Estudo propõe gestão democrática com base na gestão compartilhada, para que a democracia se torne uma vivência diária em benefício da educação pública de qualidade

Autor- Ana Cristina Prado de Oliveira, Professora Adjunta, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, ana.oliveira@unirio.br | Sofia Lerche Vieira, Professora Emérita e Professora do PPGE, Universidade Estadual do Ceará -UECE, Fortaleza, CE, Brasil, sofia.lerche@uece.br,Fluxo Educação | CP -23/04/2026 10:43:37

A democracia também se constrói na rotina da escola — nas decisões do dia a dia, nas relações de trabalho e na forma como a liderança é exercida. Este ensaio revisita a trajetória da gestão democrática na educação pública – no campo legal e acadêmico - e chega a uma conclusão provocativa: participação é essencial, mas não sustenta a democratização de processos mais equitativos na escola. A pergunta que guia o texto é: afinal, o que estamos entendendo por gestão democrática na escola?

O estudo analisa o tema a partir de três frentes. Primeiro, recupera o percurso histórico e legal da gestão democrática no Brasil, presente desde a redemocratização e consolidada na Constituição de 1988 e na Lei de Diretrizes e Bases. Em seguida, examina dados educacionais recentes para entender como esses princípios ganham — ou não — vida nas escolas. Por fim, dialoga com pesquisas internacionais sobre liderança compartilhada, que deslocam o foco das normas para as práticas cotidianas das equipes escolares. A motivação central é ampliar o conceito de gestão democrática para além do cumprimento formal da lei.

Os dados analisados revelam limites persistentes. Parte dos professores ainda não participa da elaboração do projeto pedagógico de sua escola ou sequer conhece esse documento. Conselhos escolares existem, mas nem sempre estão ativos, especialmente nas redes municipais. Na escolha de diretores, houve avanços recentes com a redução das indicações políticas e o aumento de processos que combinam avaliação e participação da comunidade. Ainda assim, o texto discute que eleger ou consultar a comunidade não garante, por si só, práticas democráticas no interior da escola.

Diante desse cenário, o estudo propõe um deslocamento: pensar a gestão democrática como prática contínua, sustentada por uma liderança que se compartilha. Isso implica formar diretores e equipes para coordenar decisões coletivas, distribuir responsabilidades e construir relações mais horizontais, que não percam o foco da função social da escola: democratizar a experiência de uma escola de qualidade para todos. O desafio não é apenas assegurar a participação em conselhos, na elaboração do projeto pedagógico ou ainda escolher bem quem dirige a escola, mas criar condições para que a democracia seja uma vivência diária em benefício da educação pública de qualidade.

Leia o artigo em

https://publicacoes.fcc.org.br/cp/article/view/11646

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