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Estudo analisa contexto histórico e implementação da gestão democrática na educação pública brasileira

Pesquisa publicada pela Fundação Carlos Chagas relaciona a participação e colaboração com a melhora da qualidade de ensino para todas as pessoas

Autor- Jade Castilho,Fluxo Educação -27/07/2026 09:32:03

Aimplementação da gestão democrática na educação pública brasileiraé tema de pesquisa publicada pela revista acadêmicaCadernos de Pesquisa, da Fundação Carlos Chagas. O estudo analisa o contexto histórico e propõe uma atualização do conceito por meio do diálogo sobre liderança. 

O trabalho das pesquisadoras Ana Cristina Prado de Oliveira e Sofia Lerche Vieira propõe uma reflexão sobre a escola e a democracia, revisitando as origens desse debate no Brasil e as dimensões do princípio da gestão democrática no sistema público.

A gestão democrática é apresentada pelas autoras como um conceito ambíguo, presente na legislação brasileira desde a redemocratização na década de 1980, mas que ainda enfrenta desafios práticos devido à complexidade do sistema federativo. Segundo as pesquisadoras, a gestão democrática é limitada a três estratégias: elaboração do projeto pedagógico, conselhos escolares e seleção de diretores.

O estudo busca responder se a participação nas escolas vai além do cumprimento legal para garantir a democratização da educação de qualidade. Nesse sentido, as autoras encontram um descompasso entre normas e prática. Dados educacionais mostram que a implementação desses mecanismos legais é desigual e muitas vezes burocrática, com sistemas municipais apresentando maior resistência e persistência de práticas patrimonialistas em comparação aos estaduais.

Com a Lei do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), que vincula o repasse de recursos a critérios técnicos de mérito e desempenho, observa-se uma mudança nas formas de acesso ao cargo de diretor, figura representativa da gestão escolar. 

Contudo, as autoras argumentam que a participação da comunidade na escolha, embora legítima, não garante por si só o exercício democrático da gestão escolar. É preciso pensar de forma colaborativa e horizontal para promover a participação de todas as pessoas da comunidade da escola. 

O texto propõe, para isso, uma aproximação com o conceito internacional de liderança distribuída, modelo em que a gestão democrática deve ser entendida como um processo cotidiano e curricular.A gestão escolar deve ser um trabalho coletivo, onde o diretor atua como peça-chave — porém não solitária — e que necessita de preparação técnica e política para coordenar o ambiente escolar de forma democrática.

Por fim, as autoras do estudo concluem que a gestão democrática não deve se limitar a definições legais ou rituais burocráticos, sendo fundamental ampliar sua compreensão para práticas reais de participação e colaboração que visem à qualidade do ensino para todos.

Para saber mais,confira a pesquisa completa disponívelno site da revista Cadernos de Pesquisa. 

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