Estudo revela ausência de cultura de avaliação formativa em cursos de licenciatura em matemática
A pesquisa analisou avaliação da aprendizagem em institutos federais do Ceará e da Paraíba
Aprender a avaliaré um dos componentes necessários para a docência em qualquer área do conhecimento. Um estudo publicado na revistaEstudos em Avaliação Educacional, da Fundação Carlos Chagas, revelou que não existe uma cultura de formação consolidada direcionada aos princípios da avaliação formativa.
Apesquisa analisou as concepções e práticas avaliativas de professores dos cursos de Licenciatura em Matemáticaem Institutos Federais do Ceará (IFCE) e da Paraíba (IFPB). Utilizando uma abordagem qualitativa, o estudo investigou como esses docentes abordam a avaliação da aprendizagem.
A maioria dos docentes entrevistados relata deficiências na sua formação inicial sobre o tema, resultando em práticas avaliativas intuitivas. Muitos professores relatam que utilizam a avaliação como um instrumento de medição tradicional em uma chamada “cultura do exame”, com foco na prova escrita e na classificação.
Em contrapartida, alguns docentes buscam abordagens mais reflexivas, utilizando instrumentos diversificados e focados na construção do conhecimento. Os resultados indicam a necessidade de reformulações nos currículos de licenciatura para incorporar estudos formais sobre avaliação educacional.
A maioria dos professores apontou um sentido negativo para suas experiências avaliativas na formação inicial, marcadas por provas quantitativas, distanciamento do professor e pouca relação entre o conteúdo abordado e o cobrado nas avaliações.
Alguns docentes, no entanto, relataram experiências positivas, com novas possibilidades de avaliação, como seminários e avaliação por projetos, algo mais próximo de suas realidades.
A maioria dos professores entrevistados não teve acesso a formação específica em avaliação na graduação, o que gerou dificuldades e a reprodução de modelos de avaliação vivenciados.
O conhecimento teórico sobre avaliação, de acordo com o levantamento, é quase nulo, e as práticas são realizadas de forma intuitiva, baseadas em vivências. Assim, o conhecimento vem mais da experiência e da busca individual, como em cursos de pós-graduação ou observação de práticas de outros professores.
A maioria dos professores relata que não há iniciativas sistematizadas de formação continuada em avaliação da aprendizagem nas instituições pesquisadas, ficando o acesso a esse conhecimento restrito à pós-graduação ou a encontros pedagógicos.
Os professores, mesmo cientes da complexidade da avaliação, têm dificuldade em se desvincular da prova, mas buscam estratégias voltadas para a função formativa. A falta de uma cultura de formação em avaliação leva à reprodução de práticas sem embasamento teórico. A avaliação ideal, na visão dos professores, deve ser baseada em princípios formativos, contínua, diversificada e focada no aprendizado do aluno.
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