Experiência formativa desenvolve material didático na formação do educador indígena na Amazônia
Iniciativa reconhecida pelo Prêmio Professor Rubens Murillo Marques em 2020 propõe adaptação de materiais para a realidade das comunidades indígenas locais
A formação docente é fundamental para o desenvolvimento dos professores e, consequentemente, dos estudantes. Pensando nisso, o projetoHerbário Interculturaldesenvolveu materiais didáticos adaptados à realidade das comunidades indígenas da Amazônia.
A experiência formativa foi realizada na disciplina de Etnobotânica Indígena do curso de Licenciatura Intercultural Indígena da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e foi reconhecida pelo Prêmio Professor Rubens Murillo Marques, promovido pela Fundação Carlos Chagas, em 2020.
De acordo com o docente Agerdânio Andrade de Souza, um dos autores da iniciativa, o contexto educacional dos estudantes indígenas é desafiador, uma vez que materiais didáticos ocidentais, geralmente exclusivos em língua portuguesa, desconsideram a cultura, o bilinguismo e os conhecimentos tradicionais, o que contribui para a supressão da identidade indígena.
Para superar essas barreiras, o projeto adotou as seguintes estratégias:
- Integração de Saberes: união entre conhecimentos científicos e empíricos tradicionais das etnias;
- Mapas Mentais:uso da linguagem visual e multilinguística para facilitar a compreensão e expressão dos estudantes e contornar limitações linguísticas;
- Confecção de Herbário Portátil:desenvolveu-se um herbário de baixo custo e fácil transporte, utilizando materiais recicláveis, para servir como recurso itinerante em escolas de aldeias como Kumarumā, Missão Tiriyó, Açaizal e Manga;
- Protagonismo Indígena:estudantes participaram ativamente de aulas de campo para coleta e identificação de plantas, além de conduzirem seminários, muitas vezes em suas línguas maternas.
Entre os resultados encontrados com a realização da experiência formativa no curso de licenciatura, os docentes responsáveis relatam a elaboração do primeiro Herbário Intercultural e de mapas mentais multilinguísticos pelos alunos do curso de Licenciatura Intercultural Indígena (CLII) da Unifap, a valorização da cosmovisão, língua e saberes tradicionais resultou em um forte empoderamento da cultura indígena, permitindo que os discentes deixassem de ser apenas receptores da cultura ocidental.
Além disso, a proposta desenvolvida na disciplina reavivou o interesse dos alunos da universidade pelas atividades e facilitou a assimilação de conteúdos científicos, a partir da contextualização do ensino com a realidade dos povos Waiãpi, Galibi-Marworno, Karipuna e Calină.
O material produzido foi utilizado como recurso pedagógico em escolas de educação básica nas aldeias, estendendo o aprendizado aos parentes e à comunidade, promovendo um aumento na confiança e autoestima dos discentes, que passaram a utilizar suas línguas nativas com mais frequência, inclusive fora da universidade, combatendo a invisibilidade social.
A experiência formativa premiada completa foi publicada na sérieTextos FCC. Para saber mais sobre a premiação,acesse o siteda FCC.
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Herbário Intercultural: material didático na formação do educador indígena na Amazônia