O brincar na educação infantil: a brincadeira como atividade livre de aprendizagem
Estudo publicado no Cadernos de Pesquisa aborda evolução nas teorias e práticas pedagógicas pré-escolares no Ocidente
Historicamente, os significados de brincadeira se modificaram, passando de festas e ritos de adultos a associados a vícios ou jogos. Com a evolução histórica, as concepções do brincar passaram a ser relacionadas com uma atividade livre de aprendizagem.
Um estudo publicado em Cadernos de Pesquisaapresenta a concepção sócio-histórica do brincar e sua evolução nas teorias e práticas pedagógicas pré-escolares ocidentais. De acordo com Gisela Wajskop, a valorização do brincar na educação infantil está associada a uma nova imagem de criança, construída a partir do seu status social desde os séculos XVI e XVII.
A partir de um levantamento histórico e bibliográfico, a pesquisa aborda que, na antiguidade, as crianças participavam dos mesmos ritos, festas e brincadeiras que os adultos. No século XVII, os jogos e brincadeiras eram reprovados e associados à vício e azar, o que se modificou a partir da influência dos jesuítas.
Com o renascimento, os humanistas perceberam e utilizaram as possibilidades educativas dos jogos, considerando-os uma forma de preservar a moralidade dos "miniadultos". Já o período do romantismo inaugurou a ideia de que a infância foi associada à natureza, à intuição e ao imediato.
A partir do século XIX e XX e por influência dos pedagogos, se inaugurou uma educação baseada no brincar, organizando os jardins de infância segundo brinquedos de livre manipulação.
Um dos autores mencionados no levantamento é Montessori e as suas casas de Bambini, organizadas em torno de atividades dirigidas e de trabalho, opondo-se à brincadeira como atividade inata e sem fins educativos.
Ao fim, a autora reforça a concepção do brincar como perspectiva sociocultural, em que ele é visto como um fato social e uma atitude mental. De acordo com Vygotsky, na brincadeira, a criança se comporta acima de seu comportamento habitual, criando uma "zona de desenvolvimento proximal".
A brincadeira assume características de enredo, situação imaginária, representação de papéis, uso de objetos, imitação de interações sociais, regras definidas e construção de significados durante o processo.
Por fim, para a autora, a brincadeira não é inata, mas uma atitude e linguagem aprendida nas relações sociais e afetivas, e sim, no processo de aprendizagem.
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