Divulgação Científica

www.fcc.org.br

O brincar na educação infantil: a brincadeira como atividade livre de aprendizagem

Estudo publicado no Cadernos de Pesquisa aborda evolução nas teorias e práticas pedagógicas pré-escolares no Ocidente

Autor- Jade Castilho,Fluxo Educação -08/01/2026 13:40:08

Historicamente, os significados de brincadeira se modificaram, passando de festas e ritos de adultos a associados a vícios ou jogos. Com a evolução histórica, as concepções do brincar passaram a ser relacionadas com uma atividade livre de aprendizagem. 

Um estudo publicado em Cadernos de Pesquisaapresenta a concepção sócio-histórica do brincar e sua evolução nas teorias e práticas pedagógicas pré-escolares ocidentais. De acordo com Gisela Wajskop, a valorização do brincar na educação infantil está associada a uma nova imagem de criança, construída a partir do seu status social desde os séculos XVI e XVII.

A partir de um levantamento histórico e bibliográfico, a pesquisa aborda que, na antiguidade, as crianças participavam dos mesmos ritos, festas e brincadeiras que os adultos. No século XVII, os jogos e brincadeiras eram reprovados e associados à vício e azar, o que se modificou a partir da influência dos jesuítas. 

Com o renascimento, os humanistas perceberam e utilizaram as possibilidades educativas dos jogos, considerando-os uma forma de preservar a moralidade dos "miniadultos". Já o período do romantismo inaugurou a ideia de que a infância foi associada à natureza, à intuição e ao imediato.

A partir do século XIX e XX e por influência dos pedagogos, se inaugurou uma educação baseada no brincar, organizando os jardins de infância segundo brinquedos de livre manipulação.

Um dos autores mencionados no levantamento é Montessori e as suas casas de Bambini, organizadas em torno de atividades dirigidas e de trabalho, opondo-se à brincadeira como atividade inata e sem fins educativos.

Ao fim, a autora reforça a concepção do brincar como perspectiva sociocultural, em que ele é visto como um fato social e uma atitude mental. De acordo com Vygotsky, na brincadeira, a criança se comporta acima de seu comportamento habitual, criando uma "zona de desenvolvimento proximal". 

A brincadeira assume características de enredo, situação imaginária, representação de papéis, uso de objetos, imitação de interações sociais, regras definidas e construção de significados durante o processo.

Por fim, para a autora, a brincadeira não é inata, mas uma atitude e linguagem aprendida nas relações sociais e afetivas, e sim, no processo de aprendizagem. 

Saiba mais

O brincar na educação infantil

Voltar