Pesquisa mapeia projetos para equidade de gênero na educação em STEM
Estudo publicado pela Fundação Carlos Chagas analisou projetos aprovados nas camadas do CNPQ para o programa Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias, Computação e Matemática
Os desafios para as mulheres na busca de uma carreira consistente na ciência são diversos, como a dificuldade em progredir na carreira, os estereótipos sociais sobre os papéis de gênero, preconceito e discriminação, entre outros.
Omovimento para a educação STEMpropõe um ensino baseado nas ciências, tecnologia, engenharia e matemática, integradas em uma abordagem interdisciplinar inovadora, que considere a equidade de gênero e de raça. Os nomes vem das quatro disciplinas em inglês: S, de science; T de technology; E de engineering (engenharia); e M de mathematics (matemática).
Uma pesquisa publicada na revista Cadernos de Pesquisa, da Fundação Carlos Chagas, realizou omapeamento de projetos aprovados nas chamadas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)para o programa Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação.
O levantamento analisou propostas aprovadas dos anos 2013 e 2018 e buscou compreender a percepção de cinco coordenadoras entrevistadas sobre a importância desses projetos.
As chamadas do CNPQ do Meninas nas Ciências Exatas, Engenharias e Computação fomentam a participação feminina nas áreas de ciências exatas e tecnológicas, onde as mulheres estão sub-representadas, e combatem a segregação horizontal.
A chamada de 2013 contemplou 325 projetos, sendo 51% deles liderados por mulheres. Com relação à diversidade regional, a região nordeste foi a mais contemplada, com 94 projetos.
Já a chamada de 2018 contemplou 78 projetos com 94% deles com liderança feminina, o que pode ser explicado pelos critérios de aprovação adotados no edital que privilegiavam o gênero feminino. Neste ano, a região sudeste obteve o maior número de projetos aprovados (23).
Com relação à capilaridade das chamadas analisadas pelo estudo, todas as 26 unidades federativas e o Distrito Federal tiveram projetos aprovados nas duas chamadas. Os estados com maior número de projetos aprovados foram Rio Grande do Sul (53), São Paulo (45), Minas Gerais (30), Santa Catarina (27) e Paraíba (25).
Percepções das coordenadoras
Para o estudo, foram entrevistadas coordenadoras dos projetos do estado do Rio de Janeiro entre março e maio de 2019, a fim de compreender suas percepções acerca da importância dos projetos.
As coordenadoras destacaram quatro dimensões de importância dos projetos. A primeira delas foi a dimensão social, relacionada à atuação em áreas de vulnerabilidade social, estímulo ao ingresso na universidade, ampliação de horizontes de futuro para as jovens e estabelecimento de vínculo com as famílias.
Uma segunda dimensão mencionada foi a formativa, com relação à vivência em projetos com foco em equidade de gênero e divulgação científica atuando na formação de futuras professoras com uma perspectiva não sexista, gerando um "efeito multiplicador". Outro aspecto da dimensão formativa foi das próprias coordenações, a aproximação da universidade com a escola pública, apropriação da literatura de estudos de gênero e ciência e ampliação da rede de pesquisadoras.
Enfim, a dimensão pessoal, mencionada nas entrevistas, aborda a satisfação pessoal, a possibilidade de dar um retorno à sociedade e senso de responsabilidade com as expectativas das jovens.
Por fim, o estudo conclui que as chamadas do CNPQ foram marcos importantes para as políticas afirmativas de equidade de gênero no Brasil, agindo como catalisadoras para a disseminação de iniciativas na temática de gênero na educação em STEM.
Os resultados da pesquisa reforçam a importância de uma perspectiva feminista interseccional nas políticas de equidade de gênero.
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Mapeamento e Importância de Projetos para Equidade de Gênero na Educação em STEM