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Quando a média engana: pesquisa propõe novo indicador de avaliação com base nas desigualdades educacionais entre estados e regiões

O Ideb avalia o desempenho médio e a aprovação, mas não considera desigualdades nas escolas brasileiras. O Ideb-D, proposto por pesquisadores da UFF, ajusta o índice pela desigualdade e oferece uma leitura alternativa para as diferenças educacionais regionais.

Autor- Laís da Costa de Deus Miguel, UFF, laisdeus@id.uff.br Mylena da Silva Gomes Barreto, UFF, mylenagomes@id.uff.br,Fluxo Educação | EAE -30/04/2026 12:10:16

O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) é o principal indicador de qualidade da educação no Brasil, mas possui limitações. O Ideb avalia o aprendizado e a aprovação, porém ignora a desigualdade escolar. Duas escolas com a mesma nota, por exemplo, podem ter realidades opostas: uma com todos os alunos em nível médio e outra com alunos em níveis muito desiguais. A partir dessa lacuna, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) criaram o Ideb-D. Esse novo indicador penaliza o Ideb quando há desigualdade de nota entre os alunos.

Os pesquisadores se inspiraram no Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à desigualdade (IDH-D) da Organização das Nações Unidas (ONU), que ajusta o índice conforme a desigualdade social. Eles escolheram criar um índice complementar e não um substituto para o Ideb. Essa decisão mantém a série histórica de dados e facilita a comparação entre o Ideb convencional e o Ideb-D, após a penalização pela desigualdade. Nesse primeiro momento, optou-se por focar na desigualdade entre as notas de todos os alunos e não na desigualdade entre grupos (gênero, raça/cor e nível socioeconômico, por exemplo). De acordo com os autores do estudo, medir a desigualdade entre todos os alunos revela injustiças que poderiam ser ignoradas se o foco fosse apenas em grupos específicos. 

As simulações do Ideb-D, realizadas no levantamento, alteraram o ranking educacional brasileiro. Em 2007, a região Sudeste perdeu o primeiro lugar para o Sul devido à sua alta desigualdade interna. No mesmo ano, São Paulo caiu da 2ª para a 3ª posição nacional, cedendo o posto ao Paraná. Entre 2007 e 2019, a desigualdade caiu no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mas aumentou no Norte e Nordeste. O Norte era a região mais igualitária em 2007, mas tornou-se a segunda mais desigual em 2019. Naquele ano, Roraima despencou no ranking ajustado, enquanto Rondônia subiu por oferecer um ensino mais igualitário. Alagoas e Amazonas registraram as maiores penalidades por desigualdade em todo o país.

A projeção da pesquisa, atualmente, é aplicar essa análise detalhada dentro de cada município e escola, individualmente. Os autores encorajam a utilização do indicador para pesquisas futuras para diferentes objetos de análises e recortes.

REFERÊNCIAS

Cowell, F. A. (2011). Measuring inequality (3rd ed.). Oxford University Press.

Ernica, M., Rodrigues, E. C., & Soares, J. F. (2025). Desigualdades educacionais no Brasil contemporâneo: Definição, medida e resultados. Dados, 68(1), Artigo e20220109.

https://doi.org/10.1590/dados.2025.68.1.345

Fernandes, R. (2007). Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) [Texto para discussão, n. 26]. Inep.

Hoffmann, R. (2025). Sobre como medir diferenças de resultados no ensino. Estudos em Avaliação Educacional, 36, Artigo e10663.https://doi.org/10.18222/eae.v36.10663

Travitzki, R. (2020). Qual é o grau de incerteza do Ideb e por que isso importa? Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, 28(107), 500-520.https://doi.org/10.1590/S0104-40362020002801770

Waltenberg, F. D., Marcoje, B. M., Miguel, L. da C. de D., & Barreto, M. da S. G. (2026). Integrando a desigualdade ao Ideb por meio de um indicador complementar. Estudos em Avaliação Educacional, 37, Artigo e11832.https://doi.org/10.18222/eae.v37.11832

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https://publicacoes.fcc.org.br/eae/article/view/11832

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