Revisão da literatura aponta expansão internacional, com destaque para países asiáticos
Você já ouviu falar em doutorado profissional? Diferente do doutorado tradicional, voltado principalmente à formação de pesquisadores e professores universitários, essa modalidade busca formar profissionais altamente qualificados para atuar em empresas, governos, hospitais, escolas e outros setores da sociedade. Um estudo de pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), mostra que esse modelo cresce em vários países e já se tornou uma tendência internacional.
A pesquisa analisou a literatura acadêmica e documentos oficiais de diferentes regiões do mundo, reunindo informações sobre experiências nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Canadá, países europeus, América Latina, África e Ásia. O objetivo foi entender como surgiram os doutorados profissionais e como essa modalidade se expandiu em diferentes países.
Os resultados indicam que essa modalidade nasceu no mundo anglófono, especialmente em países como Estados Unidos e Reino Unido, mas hoje encontra novo impulso em nações asiáticas como China, Japão, Coreia do Sul e Singapura. Nesses países, os programas estão ligados a estratégias de inovação, desenvolvimento tecnológico e formação de lideranças para setores estratégicos da economia.
Na Europa, o cenário é mais diverso. Alguns países avançam com modelos próprios, enquanto outros ainda demonstram resistência ou preferem adaptar o doutorado acadêmico tradicional. Já na América Latina, a expansão permanece limitada. Brasil e México aparecem como os principais casos de regulamentação específica.
No Brasil, os doutorados profissionais foram oficialmente instituídos em 2017, no sistema de pós-graduação coordenado pela Capes, e cresceram rapidamente. Hoje já estão presentes em áreas como educação, administração, ensino e saúde. Para os pesquisadores, isso mostra que o país acompanha mudanças internacionais na formação de doutores e amplia caminhos para aproximar universidade, inovação e mundo do trabalho.
O tema ganha relevância em um momento em que mudanças regulatórias colocam em debate o futuro dessa modalidade no país. Nesse contexto, conhecer a experiência internacional pode contribuir para decisões públicas mais informadas e baseadas em evidências.
O estudo também chama atenção para um debate importante: doutorados profissionais não substituem os doutorados acadêmicos. Eles cumprem funções diferentes e podem coexistir. Enquanto um prioriza a produção científica tradicional, o outro busca aplicar conhecimento avançado para resolver problemas concretos da sociedade.
Em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas e novas demandas profissionais, compreender essas mudanças ajuda a pensar quais caminhos o Brasil deseja seguir para o futuro de sua pós-graduação.