Atuação docente em múltiplas escolas é tema de seminário promovido pela Fundação Carlos Chagas
Durante o evento, foi lançado o Relatório de Pesquisa Educacional sobre o tema com subsídios para a efetivação do PNE 2026-2036; saiba como foi
Jade Castilho
08/10/2026 09:00:00
Aatuação docente em múltiplas escolas no Brasilé um fenômeno motivado por diversos fatores, que incluem incertezas nas contratações e nas formas de remuneração dos professores e problemas nos processos de atribuição de aulas, como aponta oRelatório de Pesquisa Educacional (RPE), da Fundação Carlos Chagas.
Os resultados foram lançados em seminário promovido pela FCC no dia 29 de setembro de 2026, no auditório Dom Paulo Evaristo Arns, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
A abertura do evento contou com a apresentação da pesquisadora doDepartamento de Pesquisas Educacionaisda FCC e coordenadora do estudo,Gabriela Moriconi. Entre os achados, Moriconi destacou as diversas práticas das redes de ensino que levam os professores a trabalhar em mais de uma escola no país.
A pesquisa foi feita em parceria com a Universidade de Stanford e o D³e (Dados para um Debate Democrático na Educação) e teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Instituto Península, Instituto Sonho Grande, Movimento Profissão Docente e Instituto Natura.
Moriconi destacou as etapas do estudo, que compreenderam uma revisão sistemática da literatura, a análise de dados do Censo Escolar 2023, estudos de caso em cinco redes estaduais e uma survey com professores.
O RPE,disponível no site da FCC, além do resumo da pesquisa e dos resultados encontrados pelo levantamento, traz recomendações para a formulação de políticas públicas educacionais.
Entre as recomendações mais estruturantes, está a adoção de um modelo de alocação de cada professor a uma única escola, o que demanda a revisão das matrizes curriculares e a ampliação das possibilidades de atuação pedagógica do professor na escola.
Após a apresentação do Relatório, os debatedores convidados realizaram comentários e reflexões sobre o estudo. David Plank, da Universidade de Stanford, reforçou que, no Brasil, os professores são vistos como fornecedores de aulas, o que reflete uma falta de senso de comunidade na escola. “É preciso uma mudança de paradigma”, afirma Plank.
Fred Amâncio, diretor da Motriz e ex-secretário de educação de Pernambuco, mencionou o impacto desse fenômeno na aprendizagem dos estudantes. O ex-secretário destacou a importância de se estruturar uma política pública com estratégia eficiente para promover uma jornada docente completa em uma única escola.
Fábio Moraes, da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), docente há 30 anos da rede pública estadual de São Paulo, apontou exemplos da realidade de muitos professores, que se vêem obrigados a darem aula em mais de uma escola.
O professor também reforçou como é preciso pensar nos modelos de contratos de trabalho nas redes de ensino, na falta de concursos públicos e no uso permanente do contrato temporário, fatores que adoecem professores e, por vezes, os afastam das salas de aula.
Para Bernadete Gatti, titular da Cátedra Alfredo Bosi de Educação Básica do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), é preciso uma análise histórica, cultural e econômica para entender os entraves da atuação docente em múltiplas escolas. A pesquisadora salientou a necessidade de uma política forte de formação de professores com investimento específico e direcionado para “sair desse labirinto”, completou.
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