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UNESCO e FCC lançam publicação sobre desafios da formação de docentes no país

 

|09/05/19

A Representação no Brasil da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a FCC (Fundação Carlos Chagas) e a Cátedra UNESCO sobre Profissionalização Docente lançaram, nesta quinta-feira (09/05), a publicação Professores do Brasil. Entre as conclusões da obra, destacam-se as altas taxas de evasão, tanto em instituições públicas, quanto privadas; e o impacto do processo de privatização nos cursos de Licenciatura e de Pedagogia. Para as pesquisadoras, a formação docente é um problema social que precisa ser reconhecido e enfrentado no país.

O evento ocorreu na capital paulista, no Auditório Prof. Dr. Ângelo Barone Netto – sede da FCC. A abertura foi realizada por Rebeca Otero, Coordenadora de Educação da UNESCO no Brasil, e por Lúcia Villas Bôas, Diretora-Vice-Presidente Operacional da FCC e Coordenadora da Cátedra UNESCO sobre Profissionalização Docente. Na sequência, as autoras Bernardete Angelina Gatti (FCC), Elba Siqueira de Sá Barretto (FCC), Marli Eliza Dalmazo Afonso de André (PUC-SP) e Patrícia Cristina Albieri de Almeida (FCC) apresentaram as principais conclusões da publicação (Veja no fim do texto o currículo de cada uma delas).

O livro é o terceiro de uma série que fornece amplo panorama sobre a docência: formação, trabalho e profissionalização nas duas primeiras décadas do século XXI. A obra foi produzida a partir do projeto “Cenários da formação do professor no Brasil e seus desafios”, apoiado pela Unesco e realizado pela FCC, no âmbito da Cátedra UNESCO sobre Profissionalização Docente.

Matrículas crescem com instituições privadas e cursos EaD

Nas duas últimas décadas, de acordo com a publicação, a expansão da matrícula de licenciandos ocorreu, sobretudo, em instituições privadas e pela educação a distância. No entanto, para cursos em áreas específicas (como Ciências da Natureza e Matemática, Ciências Humanas e Letras), as instituições públicas são ainda as mais presentes.

O investimento nas universidades federais representou mais de três vezes o gasto em 2004, o que exige maior investimento corrente no futuro para a sua manutenção. No entanto, o que mais se destaca é o crescimento de 1.100% das despesas com o Fies. O programa já é o maior item de desembolso federal em educação, representando, sozinho, 15% de toda a sua despesa. Quanto ao ProUni, a renúncia aos benefícios fiscais das instituições contempladas ficou em torno R$ 600 milhões em 2014.

Elevadas taxas de evasão

Do total de alunos ingressantes nas licenciaturas em 2013, a proporção de concluintes foi de aproximadamente 50%. Esse percentual se mantém também semelhante entre as instituições públicas e privadas e entre os cursos presenciais e a EaD. Os altos índices de evasão e repetência nesses cursos podem ser explicados por razões de contexto, mas também são devido às dinâmicas internas de seu funcionamento. Nas áreas de Ciências e Matemática, a evasão é maior do que 50%. A perda da metade dos estudantes nos cursos de licenciatura representa enorme desperdício de recursos materiais e humanos.

A cor dos futuros professores mudou

Nas licenciaturas, entre 2005 e 2014, a representação dos brancos caiu de 61,3% para 46,1%, e aumentou a presença dos negros de 35,9% para 51,3%. Em 2014, em 11 dos 14 cursos de licenciatura avaliados, a representação dos negros é igual ou maior do que 50% dos estudantes.

Carreira docente não atrai classe média

Via de regra, os licenciados estudaram em escolas públicas e seus familiares têm baixa escolaridade média. É crescente a tendência de a carreira docente atrair estudantes das faixas de renda mais baixa. Em 2005, metade dos licenciandos provinha dos estratos médios da população; em 2014, eles passam a representar apenas um terço dessa camada (confira logo mais os principais destaques da publicação).

“Os dados, a análise e a reflexão apresentados no livro tocam em questões que retratam que a formação e o trabalho docente na educação básica se configuram como um problema social. Há impasses e problemas antigos, que se repetem, e novos que emergem ante os novos cenários sociais”, avalia Bernardete Gatti, coordenadora do estudo, consultora e pesquisadora aposentada da FCC.

Para Rebeca Otero, os professores são peças chaves para a garantia do direito à educação de qualidade. Segundo ela, neste momento em que o Brasil discute a renovação do Fundeb (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica), é fundamental a realização de estudos como este, realizado no âmbito da Cátedra UNESCO sobre Profissionalização Docente, de modo que possam subsidiar as políticas de formação inicial e continuada que, assim como melhores salários e bons planos de carreira, são essenciais para a valorização da profissão.

Quem forma o professor?

As formas atuais de inserção de docentes do ensino superior para atuar nas licenciaturas, bem como as formas contratuais, não favorecem a formação para a atuação dos futuros professores na educação básica. É precário o reconhecimento do formador como figura essencial no desenvolvimento dos licenciandos, no seu fazer docente nas licenciaturas, nos conhecimentos que estão na base da docência e na sua formação e constituição profissional.

Metodologia

Foram analisados documentos relativos às políticas docentes e às formações inicial e continuada; dados relativos à educação básica e à docência nesse nível educacional; dados sobre os estudantes nas licenciaturas e os formadores de professores; mudanças que se revelam ou não nesse cenário; e inovações emergentes em propostas formativas.

Sobre as autoras

Bernardete Angelina Gatti
Tem doutorado em psicologia pela Université de Paris VII – Université Denis Diderot, e pós-doutorados na Université de Montréal e na Pennsylvania State University. Exerceu os cargos de superintendente de educação e pesquisa e de vice-presidente da Fundação Carlos Chagas, onde hoje atua como pesquisadora consultora. Docente aposentada da USP (Universidade de São Paulo), foi professora do programa de pós-graduação em educação da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e do programa de pós-graduação: psicologia da educação da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Foi consultora da UNESCO e de outros organismos nacionais e internacionais.

Elba Siqueira de Sá Barretto
Atualmente é pesquisadora consultora da Fundação Carlos Chagas. Professora do programa de pós-graduação em educação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP), instituição em que se graduou em pedagogia e obteve os títulos de mestra e doutora em Sociologia. Atuou como pesquisadora sênior da FCC e superintendente de educação e pesquisa da instituição. Foi também editora responsável por Cadernos de Pesquisa, periódico científico da área de educação. Seus temas de interesse e pesquisa são: políticas públicas da educação básica, currículo e formação de professores.

Marli Eliza Dalmazo Afonso de André
É Ph.D em educação pela Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, USA. Professora titular aposentada da Faculdade de Educação da USP e desde fevereiro de 2000 integra o programa de estudos pós-graduados em educação: psicologia da educação da PUC-SP. É coordenadora adjunta do mestrado profissional em educação: formação de formadores, na PUC-SP. Desenvolve pesquisa na área de formação de professores. É líder do grupo de pesquisa: desenvolvimento profissional docente, credenciado pela PUC-SP e CNPq.

Patrícia Cristina Albieri de Almeida
Graduada em pedagogia pela Unitau (Universidade de Taubaté) (1991), mestrado (1999) e doutorado (2005) em educação pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Pós-doutorado em psicologia da educação pela PUC-SP (2007-2008), como bolsista da Fapesp. Trabalha com formação inicial e continuada de professores desde 1994. Atualmente é pesquisadora da FCC e professora do programa de mestrado profissional em educação do Unasp. Atua na área de educação com ênfase em formação de professores e didática.

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