Pesquisa analisa representações sociais sobre saúde mental de educadores da rede pública de Natal, Rio Grande do Norte
Danielle Oliveira da Nóbrega, pós-doutoranda na Fundação Carlos Chagas, buscou compreender a dimensão emocional dessas representações no cotidiano docente
Quais as representações sociais sobre saúde mental elaboradas por educadores e educadoras de uma escola pública de ensino médio? Esse foi o ponto de partida para a pesquisa de pós-doutorado de Danielle Oliveira da Nóbrega, desenvolvida na Fundação Carlos Chagas e na Universidad Autónoma Metropolitana (UAM), no México.
O estudo da pesquisadora e docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) analisou as representações sociais sobre saúde mental de educadores da rede pública de Natal. O objetivo principal foi compreender a dimensão emocional dessas representações, identificando como elas se constroem e o papel que as emoções desempenham nesse processo.
Com uma metodologia qualitativa, com pesquisa de campo, entrevistas, grupos de discussão e análise de discursos dos relatos encontrados, o estudo investigou os sentidos, as vivências e as repercussões emocionais que cercam o tema no contexto escolar.
Ao longo do seu estágio pós-doutoral, sob supervisão da pesquisadora doDepartamento de Pesquisas Educacionais (DPE)da FCC,Adelina Novaes, Danielle fundamentou sua pesquisa na Teoria das Representações Sociais (TRS) e na perspectiva de que as emoções são construções sociais compartilhadas, que organizam a avaliação da realidade e funcionam como elos centrais na formação das representações.
O estudo integra o projeto de cooperação internacional “Latinoamérica em movimento: estabilidade e mudança no pensamento social”, financiado pelo CNPq, e contou com uma missão de trabalho na Universidade Autónoma Metropolitana (UAM, México), com a supervisão no exterior da pesquisadora Silvia Gutiérrez Vidrio.
Os resultados de seu projeto pós-doutoral foram apresentados no dia 21 de agosto de 2026.
Os achados da pesquisa colocam em relevo as condições de trabalho, a sobrecarga e os desafios do cotidiano docente como fontes de sofrimento psíquico, além de destacar a urgência de fortalecer redes psicossociais, intersetorialidade e ética do cuidado no meio educacional.
Além disso, a pesquisadora concluiu que as representações sobre saúde mental oscilam entre o "estar bem" e o sofrimento psíquico, no limite entre controle e descontrole emocional, influenciado, principalmente, pelo modelo biomédico e pela lógica neoliberal.
Sobre o estágio pós doutoral
Voltado a pesquisadores ou docentes com título de doutorado, a Fundação Carlos Chagas promove oprograma de estágio pós-doutoral, desde 2008. O processo de seleção e recepção de doutores já recebeu mais de 20 pesquisadores com interesses de pesquisa relacionados aos temas estudados no DPE, como formação docente, avaliação educacional, representações sociais, educação infantil e relações de gênero e étnico-raciais.
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