Como a crise climática e os desastres socioambientais afetam o ensino e aprendizagem dos estudantes?
Pesquisas reconhecem que quase 1 bilhão de crianças estão expostas a riscos climáticos extremos no mundo
Juiz de Fora e Ubá, cidades da Zona da Mata mineira, foram atingidas por temporais e tempestades que devastaram as cidades entre os dias 24 e 26 de fevereiro de 2026. O desastre socioambiental deixou mais de 3 mil pessoas desalojadas e atividades interrompidas nos setores de serviços e indústrias, interrompendo aulas em escolas. Segundo a ONU,quase 1 bilhão de crianças estão expostas a riscos climáticos extremos no mundo.
A devastação que varreu as cidades mineiras é o episódio mais recente de uma série de desastres socioambientais no Brasil, como o de 2024 no Rio Grande do Sul e em 2022 na região de Petrópolis, no Rio de Janeiro. Os eventos extremos são resultados da crise e emergência climática do planeta. Como esse contexto afeta o ensino e a aprendizagem de bebês, crianças, adolescentes e adultos?
As crises climáticas no país retrataram o cenário global de emergência do clima e evidenciam a necessidade de desenvolver estratégias que minimizem a vulnerabilidade social a essas condições. O Ministério da Educação (MEC) lançou oGuia de Ações Educacionais em Resposta a Emergências Climáticas, com o objetivo de apoiar as secretarias de educação do país na proteção das trajetórias escolares em contextos de crise climática.
O relatório recomenda uma abordagem transversal, que inclui sensibilidade ao trauma e o letramento em futuros e resiliência. Outra possibilidade de enfrentamento nesse cenário é o ensino de questões ambientais nas escolas, fundamental para a compreensão dos desastres climáticos.
Foi a partir dessa premissa que a pesquisadora Patricia Mie Matsuo elaborou sua tese de doutorado intituladaPráticas escolares de Educação em Redução de Riscos e Desastres Socioambientais, vencedora da categoria Ensino noPrêmio Capes de Tese em 2023.
O estudo utilizou como metodologia a análise de conteúdo de projetos feitos por 238 escolas brasileiras com base na campanha #AprenderParaPrevenir, promovida peloCentro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), vinculado aoMinistério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Os desastres socioambientais são cada vez mais frequentes no Brasil, como transbordamento de rios, inundações e deslizamentos de terra. Patricia observou as práticas educativas inscritas por educadores e educadoras de todo o país no projeto do CEMADEN para observar as estratégias usadas para o despertar crítico e o exercício da cidadania dos estudantes.
Após a coleta de dados no site do órgão federal, relacionadas às atividades enviadas de 2016 a 2019, a autora realizou entrevistas remotas e presenciais com os professores responsáveis pelas ações pedagógicas. O trabalho na redução de riscos e de desastres feito pelas instituições se voltou para a oportunidade de incluir a temática no ensino de diversas disciplinas e auxiliar na formação de adultos conscientes desses eventos, suas causas e ações que podem ser adotadas para controlar sua ocorrência.
Outra iniciativa dedicada à educação climática é o projetoEducom&Clima. Com o objetivo de compreender como as práticas educomunicativas podem melhorar a educação climática nas escolas, a iniciativa criou um curso de capacitação de professores e outros profissionais da educação com base nessa metodologia educomunicativa.
Apoiado pelo Programa de Pesquisa em Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o projeto disponibilizará, ao final, um banco de dados de iniciativas, metodologias de ensino e um curso de formação continuada para educadores e educadoras de forma gratuita para contribuir para a expansão da Educação Ambiental Climática no Brasil.
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